Pai de ex-banqueiro alega ser vítima de “injustiça” e cobra ministro do STF em carta
O empresário Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, enviou uma carta contundente aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (21). Na missiva, ele clama para não ser “arrastado” para o caso Master apenas por seu parentesco, defendendo sua inocência e pedindo a restauração de sua reputação e dignidade.
Vorcaro foi preso preventivamente no dia 14 de maio, durante a sexta fase da Operação Compliance Zero. Ele expressou sua frustração com a situação, afirmando que a atuação da Polícia Federal deveria ser para fazer justiça, e não para criar “histórias por hipóteses absurdas e sem comprovação”.
O empresário citou diretamente o ministro André Mendonça, relator do caso Master e responsável por autorizar sua prisão. Henrique Vorcaro declarou que, inicialmente, sentiu-se tranquilo com a prisão, acreditando que Mendonça, a quem se referiu como “um homem de Deus”, enxergaria a verdade e não permitiria uma injustiça. “Erraram demais comigo”, afirmou na carta protocolada no STF.
PF aponta indícios de pagamentos para grupo de intimidação
Segundo informações da Polícia Federal, foram encontrados indícios de que Henrique Vorcaro realizou pagamentos para “A Turma”, um grupo suspeito de atuar na intimidação de desafetos de Daniel Vorcaro. O empresário, no entanto, negou veementemente qualquer conduta ilícita, classificando as conclusões do relatório da PF como um “engano completo” e uma “história fantasiosa”.
Henrique Vorcaro também enfatizou o distanciamento que mantinha de seu filho. Ele declarou que era uma pessoa “totalmente não bem-vinda no Banco ou em qualquer coisa do Daniel”, descrevendo essa rejeição como uma fonte de sofrimento pessoal. Ele sugere que parceiros de negócios de Daniel em Belo Horizonte, São Paulo ou Brasília podem confirmar essa informação.
Empresário nega repasses ilícitos e fala em “cobranças financeiras normais”
O empresário explicou que menções a “pagar turma” ou pressões por adiantamento de dinheiro, encontradas em investigações, referiam-se, na verdade, a cobranças financeiras comuns, relacionadas aos recursos de seus próprios projetos imobiliários. Ele rechaça qualquer conexão com repasses ilícitos ou grupos criminosos.
Em um compromisso público, Henrique Vorcaro declarou que, se alguma mentira for comprovada em suas declarações sobre os fatos que levaram à sua prisão, ele aceitaria ser preso novamente pelo resto da vida. Contudo, ele exige que, sendo a verdade, sua imagem seja restaurada e que a mídia retrate os fatos com urgência.
Preocupação com a saúde e apelo aos ministros do STF
Henrique Vorcaro também ressaltou problemas de saúde, como diverticulite crônica, picos de pressão arterial e fortes dores de cabeça. Ele informou estar em seu terceiro ciclo de antibióticos, sem alimentação adequada para suas enfermidades, e longe de sua esposa, que também está doente.
Em seu apelo final aos ministros do STF, ele clama pela correção de uma “injustiça” e “desumanidade”, que descreve como um “ódio, uma perseguição cega, uma obsessão”. Ele expressa o temor de que sua vida esteja correndo perigo, após mais de quatro meses de prisão sem culpa comprovada e com agravamento de seu estado de saúde.