Lula e Renan Acusam Flávio Bolsonaro de Interferência dos EUA na Eleição; Justiça é Acionada

Lula e Renan Acusam Flávio Bolsonaro de Interferência dos EUA na Eleição; Justiça é Acionada

Resumo

Campanhas de Lula e Renan Santos denunciam suposta interferência dos EUA nas eleições em favor de Flávio Bolsonaro

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o candidato à Presidência Renan Santos (Missão) entraram com ações judiciais no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para investigar uma suposta interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. As denúncias apontam para a veiculação de anúncios pagos no exterior e articulações políticas com o objetivo de favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).

O governo americano já negou qualquer envolvimento em interferência eleitoral. A campanha de Flávio Bolsonaro foi procurada para comentar as acusações, mas ainda não se pronunciou oficialmente. O caso ganha contornos de complexidade ao envolver acusações de financiamento e propaganda eleitoral proibida por procedência estrangeira.

As ações buscam garantir a soberania nacional em todas as fases do processo eleitoral e apurar possíveis crimes eleitorais. A gravidade das denúncias pode ter implicações significativas no cenário político e eleitoral do país, com pedidos de investigação e até mesmo cassação de candidaturas.

PT pede investigação no STF contra interferência estrangeira

A campanha de Lula, por meio do PT, protocolou um pedido no STF para que sejam tomadas medidas urgentes contra a alegada interferência dos EUA. A ação se baseia em um processo anterior que trata da soberania nacional em face de ações governamentais estrangeiras. O partido solicita a abertura de um inquérito pela Polícia Federal para apurar a veiculação de anúncios pagos no exterior, especificamente na plataforma X (antigo Twitter).

Segundo o PT, perfis localizados fora do Brasil e personalidades associadas à política norte-americana, como o ex-deputado Matt Gaetz, teriam impulsionado conteúdos com o selo de “parceria paga”. Esses conteúdos utilizariam cotações de plataformas de apostas para sugerir favoritismo a Flávio Bolsonaro, o que, segundo a legenda, descontextualiza o cenário das pesquisas oficiais e pode configurar financiamento ilegal de campanha.

O partido pede que o STF determine que atos de Estados estrangeiros não produzam efeitos sobre o processo eleitoral, desde o alistamento até a diplomação dos eleitos. Além disso, solicitam a proibição de que provedores de internet, plataformas digitais e instituições financeiras executem ordens externas de remoção de conteúdo, rotulagem, desmonetização ou sanções patrimoniais contra autoridades eleitorais, partidos ou candidatos.

Denúncias envolvem Rockbridge Network e cessão de materiais audiovisuais

A petição do PT menciona a atuação da rede conservadora norte-americana Rockbridge Network, fundada pelo vice-presidente americano J.D. Vance. Há também uma solicitação de apuração sobre a cessão, sem contrapartida financeira declarada, de materiais audiovisuais das empresas Brasil Paralelo e Estúdio Quinto Elemento para a plataforma “Academia da Direita”. Esta última é vinculada ao Instituto Álvaro Valle e mantida com recursos do Fundo Partidário do PL.

O partido requer a expedição de ofícios a empresas como X, Meta e Polymarket para que preservem e apresentem dados sobre contratantes, valores e alcance dos anúncios. O PT também solicita a oitiva de figuras citadas nas denúncias, incluindo o próprio Renan Santos, que também denunciou a suposta interferência.

Renan Santos também aciona o TSE por interferência estrangeira

Renan Santos, candidato à Presidência pelo partido Missão, também protocolou uma ação no TSE alegando interferência dos EUA em favor de Flávio Bolsonaro. Santos destacou que perfis norte-americanos ligados à direita e ao ex-presidente Trump estariam impulsionando conteúdo pago para eleitores brasileiros, configurando, segundo ele, crime eleitoral.

“Isso não é apenas interferência externa, como também é dinheiro impulsionado fora da campanha. Crime eleitoral”, afirmou Renan Santos em declaração. A ação está sob a relatoria do ministro André Mendonça no TSE.

Coligação de Lula pede investigação contra Flávio, Eduardo e Gaspar no TSE

Em outra frente, a Coligação Brasil Pronto Pra Mais, que representa Lula, pediu ao TSE a abertura de uma Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra Flávio Bolsonaro, seu vice, Alfredo Gaspar, e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A acusação é de abuso de poder econômico e político, e uso indevido dos meios de comunicação, relacionados à suposta interferência estrangeira.

O PT argumenta que as articulações de Flávio e Eduardo com autoridades norte-americanas transformaram sanções, barreiras comerciais e ataques à credibilidade das urnas em instrumentos para desgastar o governo Lula e favorecer a candidatura do PL. Caso os abusos sejam reconhecidos, a coligação pede a cassação dos registros ou diplomas de Flávio e Alfredo Gaspar, e a inelegibilidade de Flávio e Eduardo por oito anos.

O partido também solicita a realização de exames técnico-contábeis nas contas de campanha de Flávio Bolsonaro, citando um histórico de ações e ingerências externas. A campanha eleitoral de 2024 se desenha com novas batalhas jurídicas e acusações de manipulação, que prometem intensificar o debate político nos próximos meses.

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