PF investiga amiga de Lulinha por suspeita de pagamentos a servidores do governo e acusações de tráfico de influência.
Mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF) revelam que Roberta Luchsinger, investigada junto a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, possuía grandes quantias de dinheiro em espécie em sua residência e realizou pagamentos a servidores do Ministério do Desenvolvimento Social. A defesa de Luchsinger declarou que não comentará o caso.
Roberta Luchsinger é alvo de três inquéritos da PF sob suspeita de **tráfico de influência**, atuando em conjunto com o filho mais velho do presidente. As comunicações foram inicialmente divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmadas pela Gazeta do Povo através de fontes próximas às investigações.
Nas conversas, Roberta teria instruído um funcionário a efetuar um pagamento de R$ 60 mil a um alto servidor do governo federal. A orientação era de que o valor fosse **fracionado em dinheiro vivo** e entregue a três pessoas distintas, com o objetivo de dificultar a fiscalização. A PF suspeita que esses pagamentos estejam ligados a contratos firmados com representantes de Roberta.
Detalhamento das suspeitas e estratégia de ocultação
A investigação aponta que a lobista mantinha uma **quantidade significativa de dinheiro vivo** em sua casa, o que reforça a suspeita de movimentações financeiras não declaradas. A forma como os pagamentos foram orientados, dividindo o montante em depósitos fracionados e em espécie, é vista pela PF como uma tentativa deliberada de **despistar a fiscalização** e ocultar a origem e o destino dos recursos.
A suspeita central é que esses pagamentos poderiam ter sido realizados para **direcionar a celebração de contratos** com empresas ou indivíduos ligados a Roberta Luchsinger. A PF busca entender a relação entre os pagamentos e os contratos obtidos por representantes da investigada no Ministério do Desenvolvimento Social.
Defesas se manifestam sobre o caso
O advogado de Roberta Luchsinger, Roberto Podval, afirmou à imprensa que a defesa **não comentará fatos sem comprovação**, classificando o vazamento das informações como ilegal e com **nítido interesse eleitoral**, especialmente às vésperas do primeiro turno das eleições. A defesa alega que os autos do inquérito estão sob sigilo.
Por sua vez, o advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, também expressou dúvidas sobre a veracidade do conteúdo das mensagens. Ele declarou que seu cliente, Fábio Luís Lula da Silva, **não tem como comentar iniciativas de pagamentos feitas por terceiros** e garantiu que Fábio não tem relação direta ou indireta com nenhum ilícito, o que, segundo ele, será comprovado ao final do processo.
Contexto da investigação e próximos passos
A investigação sobre Fábio Luís Lula da Silva e Roberta Luchsinger abrange três inquéritos distintos na PF, focados em alegações de tráfico de influência. A descoberta dessas mensagens representa um **avanço significativo nas apurações**, fornecendo indícios concretos sobre as supostas práticas investigadas.
A reportagem optou por não divulgar os nomes de outros envolvidos cujas defesas não foram localizadas, seguindo preceitos éticos jornalísticos. A PF continua a análise das comunicações e busca **cruzar informações** para comprovar ou refutar as suspeitas de irregularidades nos pagamentos e contratos.