
A Operação Zona de Influência, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira (29), já provocou os primeiros desdobramentos na política de João Pessoa. Poucas horas depois da ação, o secretário-chefe do Procon da capital, Júnior Pires, pediu exoneração do cargo, e o deputado estadual Caio Roberto (MDB), também alvo de busca e apreensão, veio a público negar qualquer irregularidade.
Júnior Pires pede para sair
Júnior Pires havia sido afastado do comando do Procon-JP por 90 dias, por determinação do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), no âmbito da operação. Em seguida, ele solicitou a exoneração da Prefeitura de João Pessoa.
Em nota, o agora ex-secretário negou participação em qualquer negociação política com integrantes de facção criminosa. Ele afirmou que sua inocência será demonstrada ao longo da apuração e disse ter absoluta confiança na Justiça. Mais cedo, a Prefeitura informou que não havia sido notificada oficialmente e que está à inteira disposição das autoridades.
Caio Roberto diz que segue em campanha
O deputado estadual Caio Roberto, que disputa a reeleição, declarou que não cometeu nenhum tipo de ilícito eleitoral e que atendeu prontamente à diligência da Polícia Federal. Segundo ele, a campanha continua normalmente e será conduzida com absoluta tranquilidade até domingo (4).
O que a PF investiga
De acordo com a Polícia Federal, a investigação apura a negociação de apoio político-eleitoral entre agentes políticos e integrantes de um grupo criminoso que atua em comunidades de João Pessoa. Entre as suspeitas estão a autorização para que candidatos fizessem campanha em áreas controladas pela facção, pagamentos a lideranças criminosas e a possível oferta de cargos públicos.
Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão e uma medida de afastamento cautelar, todos expedidos pelo TRE-PB. Os agentes apreenderam cerca de R$ 220 mil em dinheiro vivo. Os crimes investigados incluem crimes eleitorais, organização criminosa, lavagem de dinheiro e as condutas de domínio social estruturado e favorecimento a esse domínio.
Leitura de cenário
A cinco dias da eleição, o caso coloca no centro do debate a interferência do crime organizado na disputa pelo voto, sobretudo nas periferias da capital. A saída rápida de Júnior Pires tende a ser lida como tentativa de separar a gestão municipal da investigação, enquanto a defesa pública de Caio Roberto busca conter o desgaste na reta final da campanha.
Nos bastidores, a expectativa é que novos detalhes surjam à medida que o material apreendido for analisado. A investigação segue em andamento, e todos os citados têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência.
Foto da arte: PF/Agência Brasil