Gilmar Mendes propõe levar disputa bilionária de usinas ao plenário do STF após caso Vorcaro

Gilmar Mendes propõe levar disputa bilionária de usinas ao plenário do STF após caso Vorcaro

Resumo

Gilmar Mendes busca consenso no STF sobre indenizações bilionárias a usinas de açúcar e álcool

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou uma questão de ordem à Segunda Turma que pode ter um impacto significativo na disputa bilionária entre a União e o setor sucroalcooleiro. A proposta visa levar o julgamento ao plenário da Corte, buscando uniformizar o entendimento sobre a necessidade de perícia individualizada para a concessão de indenizações.

A iniciativa surge em um contexto de debates acirrados sobre o pagamento de valores vultosos a usinas, especialmente após o caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master. Gilmar Mendes tem se posicionado publicamente contra o pagamento dessas verbas, argumentando que a comprovação de prejuízos deve ser feita por meio de perícia técnica em cada caso específico, conforme estabelecido no Tema 826 da repercussão geral.

A questão de ordem será analisada pela Segunda Turma em sessão virtual entre 25 de setembro e 2 de outubro. A decisão final poderá definir um precedente importante para centenas de ações em andamento, que, segundo estimativas, podem somar até R$ 145 bilhões. As informações são do g1.

A controvérsia das indenizações e o Tema 826 do STF

Em 2020, o STF fixou que a indenização a usinas por prejuízos causados pelo extinto Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) só seria devida mediante comprovação de dano econômico por meio de perícia técnica individual. Essa tese, conhecida como Tema 826, é o cerne da proposta de Gilmar Mendes para unificar o entendimento da Corte.

O ministro tem defendido que a ausência de perícia concreta torna os créditos indevidos. Ele citou em suas redes sociais que votou contra o pagamento em diversos casos, como o da Destilaria Alcídia (ARE 1.327.995), onde foi vencido, e o da Raízen (ARE 1.312.127), onde o pagamento foi barrado. Ele também mencionou ter sido vencido em dois votos contra a Jalles Machado (ARE 1.392.660) e contra a liberação de um precatório de mais de R$ 5 bilhões na STP 976.

O caso Raízen e a posição da AGU

Na disputa entre a União e a Raízen, a Advocacia-Geral da União (AGU) argumentou pela aplicação do Tema 826, defendendo a indispensabilidade da perícia para comprovar o prejuízo. A AGU sustentou que o valor do débito não poderia ser apurado por meio de simples diferenças de tabelas genéricas de custo, como as da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Inicialmente, Gilmar Mendes votou contra a demanda da AGU, mas reajustou seu posicionamento após divergência do ministro André Mendonça, acompanhado por Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli. Em contrapartida, os ministros Edson Fachin e Nunes Marques consideraram que a tese do Tema 826 não se aplicaria a casos com liquidez e critérios de apuração de débito já definidos em sentenças transitadas em julgado.

A polêmica com Daniel Vorcaro e o Banco Master

A manifestação de Gilmar Mendes ocorre após ele admitir ter recebido Daniel Vorcaro, do Banco Master, em seu gabinete para tratar de um processo referente à Destilaria Alcídia. O banco havia adquirido precatórios da usina. A reportagem do jornal O Globo revelou uma mensagem de Vorcaro em março de 2024, onde ele expressava preocupação com a posição de Gilmar Mendes em um caso que afetaria seus precatórios.

Com a liquidação do Banco Master, os precatórios da usina agora estão sob a responsabilidade do liquidante nomeado pelo Banco Central, o que impede o lucro de Vorcaro com o eventual pagamento. Gilmar Mendes reforçou que sua posição sempre foi contrária a esses pagamentos, considerando-os indevidos sem a comprovação de prejuízo concreto por meio de perícia.

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