Mendonça exige acesso total ao inquérito das fake news e acusa Moraes de “arapongagem institucional”
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, solicitou nesta terça-feira (22) ao presidente da Corte, Edson Fachin, acesso irrestrito à íntegra do inquérito das fake news. A medida é vista pelo ministro como essencial para que ele possa verificar a existência de outros elementos contra si nos autos da investigação.
Em sua resposta às acusações feitas pelo ministro Alexandre de Moraes, Mendonça argumentou que a investigação foi instrumentalizada para validar “relatórios apócrifos” da Polícia Federal, desprovidos de valor probatório. Ele descreveu o inquérito como um abrigo para a confecção de um dossiê voltado à intimidação e ao monitoramento clandestino de autoridades.
Segundo Mendonça, essa prática configura uma “arapongagem institucional”, uma vez que a jurisprudência do STF é intransigente com a produção e veiculação de expedientes dessa natureza. A declaração surge em meio a uma escalada de tensão entre os ministros, que culminou com Fachin assumindo a condução do inquérito e afastando Moraes da relatoria.
Ação de Mendonça e a origem da crise
A solicitação de Mendonça ocorre após ele ter levantado o sigilo de um relatório da PF que revelou mensagens trocadas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em retaliação, Moraes utilizou relatórios de inteligência da PF para solicitar a inclusão de Mendonça no inquérito das fake news, intensificando o embate entre os dois.
Críticas à “interminável investigação”
Ao responder às acusações, Mendonça classificou o processo como uma “interminável investigação, que se arrasta por mais de sete anos”. Ele sustentou que o inquérito perdeu seus contornos originais, que eram investigar notícias falsas e ameaças ao STF, e passou a atuar com um “objeto fluído e ampliativo”, com escopo ampliado de forma indevida.