
A cinco dias do primeiro turno, a Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (29) a Operação Zona de Influência, que apura negociações entre agentes políticos e integrantes de uma facção criminosa em busca de apoio político-eleitoral em comunidades de João Pessoa.
Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão, todos expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). Durante as diligências, os agentes apreenderam cerca de R$ 220 mil.
O que a PF investiga
De acordo com a Polícia Federal, integrantes da facção usariam o controle territorial que exercem sobre algumas comunidades para negociar a autorização de entrada de candidatos nesses locais durante a campanha.
Em troca, segundo a investigação, haveria pagamentos a lideranças do grupo, custeio de despesas de um centro comunitário e a oferta de cargos públicos. Os crimes apurados incluem crimes eleitorais, organização criminosa, lavagem de dinheiro, domínio social estruturado e favorecimento ao domínio social estruturado.
Quem está entre os investigados
Entre os alvos da operação estão o deputado estadual Caio Roberto (MDB) e o secretário-chefe do Procon de João Pessoa, Júnior Pires. A Justiça Eleitoral determinou o afastamento cautelar de Júnior Pires do cargo por 90 dias.
Até a publicação desta matéria, os citados não haviam se manifestado publicamente. Em nota, a Prefeitura de João Pessoa informou que ainda não foi notificada oficialmente sobre a medida e que está à inteira disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
É importante lembrar que a operação está em fase de investigação e que todos os citados têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência. O espaço segue aberto para manifestação dos envolvidos.
O peso do caso na reta final
A operação chega em um momento sensível do calendário eleitoral. A influência de grupos criminosos sobre territórios, e consequentemente sobre o acesso de candidatos ao eleitor, já vinha sendo tema de debates entre os postulantes ao Governo da Paraíba e de alertas da Justiça Eleitoral ao longo da campanha.
Na leitura de bastidores, o caso tende a reforçar a pressão por fiscalização nas comunidades nos últimos dias de campanha e no próprio dia da votação, além de reacender a discussão sobre como o crime organizado tenta interferir na escolha do eleitor.
Como denunciar crimes eleitorais
Quem presenciar compra de votos, coação ou qualquer irregularidade pode denunciar pelo aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral, que aceita envios com fotos, vídeos e áudios, ou procurar o Ministério Público Eleitoral e a Polícia Federal. A denúncia pode ser feita sem expor a identidade do denunciante.
O primeiro turno das eleições acontece no domingo, 4 de outubro, das 8h às 17h.
Imagem ilustrativa. Foto: Polícia Federal/Divulgação.