PT Usa Ação de Mineração no STF para Exigir Investigação de Flávio Bolsonaro por Interferência dos EUA nas Eleições

PT Usa Ação de Mineração no STF para Exigir Investigação de Flávio Bolsonaro por Interferência dos EUA nas Eleições

Resumo

PT aciona STF com base em decisão sobre mineração para investigar suposta interferência dos EUA nas eleições brasileiras, mirando Flávio Bolsonaro.

Em uma manobra jurídica incomum, o Partido dos Trabalhadores (PT) recorreu a uma ação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), originalmente ligada a questões de mineração e litígios internacionais de municípios, para solicitar ao ministro Flávio Dino uma investigação sobre o candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL).

A solicitação do PT visa apurar uma suposta interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro. A legenda argumenta que o mesmo princípio de soberania nacional, defendido em decisões recentes sobre a atuação de municípios no exterior, deve ser aplicado para barrar influências estrangeiras nas eleições.

A ação original, protocolada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) em junho de 2024, buscava impedir que municípios brasileiros participassem de processos judiciais em tribunais estrangeiros. A questão central era a proibição de que entidades municipais contratassem escritórios internacionais para buscar reparações financeiras no exterior por eventos ocorridos no Brasil e regidos pela legislação pátria.

Decisão do STF sobre Soberania Nacional é Relevante para o PT

Em março de 2025, o relator da ação no STF consolidou o entendimento de que os municípios brasileiros, como parte da federação, estão estritamente vinculados às decisões da Corte Suprema. Ficou estabelecido que quaisquer obrigações ou consequências decorrentes de decisões e contratos no exterior estão subordinadas à soberania do Brasil.

Essa decisão ganhou ainda mais relevância em agosto de 2025, quando o ministro Flávio Dino declarou a ineficácia em território nacional de uma medida cautelar britânica que exigia do Ibram a desistência de pedidos no STF. Dino enfatizou que ordens de cortes estrangeiras que afrontam a Constituição e a legislação brasileira não produzem efeitos no país.

Na mesma decisão, o ministro determinou que leis, sanções unilaterais e decisões judiciais de outros países, como a Lei Magnitsky aplicada contra o ministro Alexandre de Moraes, não têm validade no Brasil para afetar cidadãos, empresas, bens ou contratos nacionais. Essa determinação foi comunicada ao Banco Central, Febraban e outras entidades financeiras, vedando o cumprimento de determinações estrangeiras sem autorização prévia do STF.

PT Pede Ampliação da Proteção à Soberania para o Processo Eleitoral

O PT busca estender o alcance dessa decisão de proteção à soberania nacional para o contexto eleitoral. Em sua petição, o partido argumenta que o mesmo entendimento deve ser aplicado a todas as fases do processo eleitoral, desde o registro de candidaturas até a diplomação dos eleitos.

A legenda aponta para anúncios pagos em redes sociais, como no X (antigo Twitter), veiculados por perfis localizados fora do Brasil e identificados como “parceria paga”. O PT cita publicações de contas como UHN Plus, George Behizy e Iran Observer, além do ex-deputado americano Matt Gaetz, que teriam utilizado dados de plataformas de apostas para projetar Flávio Bolsonaro como favorito.

Essas publicações, segundo o PT, podem configurar propaganda eleitoral com procedência estrangeira. O partido solicita a identificação dos responsáveis pelos anúncios, os valores investidos e o alcance das publicações no Brasil, pedindo a investigação de Flávio Bolsonaro.

Alegações de Interferência e Interesse em Terras Raras

O pedido do PT também menciona outras medidas adotadas pelo governo americano, como tarifas impostas ao Brasil e a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes, como elementos de uma suposta interferência. A legenda também levanta a hipótese de um interesse estrangeiro na exploração de terras raras brasileiras, embora reconheça a ausência de provas concretas até o momento.

Diante disso, o partido requer a apuração da origem e dos responsáveis por qualquer proposta nessa linha. O PT busca impedir que provedores de internet, plataformas digitais e instituições financeiras cumpram ordens estrangeiras para remover conteúdo, desmonetizar ou aplicar sanções contra autoridades eleitorais, partidos e candidatos no Brasil.

As acusações do PT surgiram no mesmo dia em que o governo dos Estados Unidos negou qualquer tentativa de interferir nas eleições brasileiras, afirmando que não possui preferência por nenhum resultado e que trabalhará com qualquer governo eleito. A reportagem procurou Flávio Bolsonaro para comentar as alegações, mas ainda aguarda manifestação.

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