Rio de Janeiro: Ameaças Judiciais e Policiais Moldam a Corrida Eleitoral para Governo e Senado
O Rio de Janeiro, um dos maiores colégios eleitorais do Brasil, vive um cenário político complexo onde a definição de candidatos a governador e senador está intrinsecamente ligada a ações da Justiça Eleitoral e investigações policiais. Partidos anunciaram suas chapas, mas o futuro de muitos postulantes ainda depende de decisões judiciais e desdobramentos de inquéritos.
A direita fluminense, liderada pelo atual governador Cláudio Castro (PL), enfrenta um dilema para a sucessão. Castro, reeleito em 2022, planeja concorrer a uma vaga no Senado, mas sua candidatura e a de outros nomes importantes esbarram em pendências judiciais e investigações.
A fonte principal desta reportagem é um artigo que detalha como o jogo político no Rio de Janeiro se desenrola sob a influência da Justiça e da polícia, afetando diretamente a formação de candidaturas até o prazo final de registro em 15 de agosto.
Cláudio Castro e a Disputa pelo Senado: Um Caminho Judicial Incerto
O governador Cláudio Castro (PL), impossibilitado de concorrer à reeleição, almeja uma cadeira no Senado. No entanto, ele é réu em uma ação que apura abuso de poder político e econômico durante a eleição de 2022, o chamado “escândalo do Ceperj”. O caso, que também envolve o presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar, e o ex-vice-governador Thiago Pampolha, investiga uma suposta folha de pagamento secreta com cerca de 20 mil cargos temporários.
Embora Castro tenha sido absolvido em primeira instância pelo TRE-RJ em 2024, o Ministério Público Eleitoral recorreu ao TSE. A ministra relatora Isabel Gallotti votou pela cassação do mandato e dos direitos políticos do governador, mas o julgamento foi interrompido por um pedido de vista e será retomado em março. Castro aposta em novos pedidos de vista para adiar a decisão, o que poderia permitir sua candidatura.
O PL Define Chapa Majoritária com Douglas Ruas, mas Divergências Persistem
Na direita, o PL anunciou Douglas Ruas, filho do prefeito de São Gonçalo, como candidato a governador, com Rogério Lisboa, ex-prefeito de Nova Iguaçu, como vice. Para o Senado, os nomes cogitados são o próprio Cláudio Castro e o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella. Contudo, uma divergência entre Castro e Flávio Bolsonaro sobre quem deve ser o governador interino, caso Castro deixe o cargo antes de abril, pode levar a disputa à Justiça.
A lei prevê que, na ausência de vice-governador – cargo vago desde maio de 2025 –, os deputados estaduais escolheriam um governador “tampão” em eleição indireta. Uma recente mudança na legislação estadual reduziu o prazo de desincompatibilização para 24 horas, o que está sendo questionado judicialmente por aliados de Castro, que defendem o cumprimento dos 180 dias, regra para eleições comuns. Se a Justiça acatar a tese dos 180 dias, nem Ruas nem o nome defendido por Castro para o interino, Nicolla Miccione, poderiam concorrer.
Eduardo Paes Busca Fortalecer sua Base com Aliados Estratégicos
Do lado da oposição, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), lançou sua pré-candidatura ao governo. Após jurar completar o mandato na prefeitura, ele mudou de ideia e busca fortalecer sua chapa com aliados importantes. A vice na sua chapa será Jane Reis, irmã de Washington Reis, figura política influente em Duque de Caxias.
Para uma das vagas de senador, Paes conta com o apoio da ex-governadora Benedita da Silva (PT). A busca por um segundo nome para o Senado segue em andamento, demonstrando a estratégia de Paes em consolidar alianças regionais e políticas para enfrentar o grupo de Castro e Bolsonaro.
Rodrigo Bacellar: Investigação da PF e o Futuro Político
Outro nome com forte influência política, Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj, enfrenta uma investigação da Polícia Federal sob acusação de vazar informações para a facção criminosa Comando Vermelho. Ele chegou a ser preso, mas obteve liberdade provisória com medidas cautelares, incluindo o afastamento do cargo. A PF indiciou Bacellar e outras quatro pessoas em fevereiro, mas a defesa do deputado classifica as acusações como “arbitrárias e abusivas”.
A investigação sobre Bacellar, que era considerado um forte candidato a governador com apoio de Castro, continua e pode ter desdobramentos que afetem o cenário eleitoral. A atuação da polícia e a continuidade das investigações são fatores cruciais para a definição dos rumos políticos no estado.