Conflito no Irã afeta o mundo: Preços do petróleo disparam e “transição energética” em xeque
A deflagração da guerra contra o Irã pelos Estados Unidos e Israel já provocou o temido aumento nos preços do petróleo. O barril da variedade Brent saltou de US$ 67 para quase US$ 100 em poucos dias, alcançando picos de US$ 108. A escalada de preços acende o alerta de um impacto global, especialmente se o conflito se prolongar, dada a resistência iraniana.
A principal preocupação reside na possibilidade de interdição, mesmo que parcial, do Estreito de Ormuz. Por esta rota vital, escoa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural, além de suprimentos essenciais como alimentos e água para países do Golfo Pérsico. A instabilidade na região pode desestabilizar economias e cadeias de suprimentos globais.
O impacto se estende a outros setores cruciais. Cerca de 50% do comércio mundial de enxofre e ureia, e 25% dos fertilizantes nitrogenados, passam pelo Estreito de Ormuz. Com a temporada de plantio no Hemisfério Norte se aproximando, a falta desses insumos pode gerar escassez e inflacionar o preço dos alimentos. O fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) para Taiwan, por exemplo, que importa 30% do Catar, está em risco. O país asiático possui reservas para apenas 11 dias, o que pode afetar a geração de eletricidade do maior produtor mundial de semicondutores.
A fragilidade da “transição energética” sob pressão
O conflito no Irã serve como um duro golpe para a ideia de uma rápida substituição dos combustíveis fósseis por fontes renováveis. A “transição energética”, baseada em uma substituição acelerada e, segundo o autor, ilusória, de fósseis por fontes intermitentes como eólica e solar, mostra suas falhas. Países europeus que investiram massivamente nessas fontes, em detrimento de alternativas confiáveis como a energia nuclear, agora enfrentam as consequências.
Alemanha: um estudo de caso da Energiewende
A Alemanha exemplifica os desafios dessa política. O país investiu cerca de €500 bilhões na sua “transição energética” (Energiewende), focando em fazendas eólicas e solares. Paralelamente, desativou suas usinas nucleares, que antes respondiam por 25% da eletricidade nacional. A situação foi agravada pela interrupção das importações de petróleo e gás russo, contratos que ofereciam preços favoráveis.
O resultado para a Alemanha são as tarifas de eletricidade mais altas da União Europeia. Esse custo elevado impacta diretamente as empresas, especialmente as industriais, levando a um crescente êxodo para países com menores custos operacionais. A dependência de fontes intermitentes se mostra um risco significativo para a estabilidade econômica.
Segurança energética em primeiro lugar, não transição
Antes mesmo do conflito no Irã, as ilusões sobre a substituição em larga escala do petróleo, gás natural e carvão mineral em poucas décadas já se dissipavam. A palavra de ordem, cada vez mais frequente, é a **segurança energética**. Esta, por sua vez, não pode ser confiada exclusivamente a fontes intermitentes, que dependem de condições climáticas.
A Agência Internacional de Energia (AIE), antes uma forte defensora da “transição energética”, tem refletido essa mudança em seus relatórios. A AIE agora enfatiza a necessidade de aumentar a oferta de petróleo e gás natural para compensar a queda esperada na produção de campos maduros globalmente. Essa reorientação ganha força diante dos desafios impostos pela instabilidade geopolítica.
O impacto da “agenda verde” e o retorno à economia real
A reversão da agenda ambiental e climática nos Estados Unidos, especialmente durante o governo Trump, teve repercussões globais. Esse movimento impactou o financiamento verde destinado à descarbonização da economia global, um modelo no qual muitos países, incluindo o Brasil, apostavam para o seu desenvolvimento. Agora, esses países são forçados a rever seus planos e a retornar aos princípios da **economia física real**.
Independentemente do desfecho da guerra no Irã, o conflito tende a reforçar essa tendência. A busca por estabilidade e confiabilidade no fornecimento de energia se torna prioridade, colocando em segundo plano a pressa por uma transição energética que se mostra cada vez mais complexa e arriscada em um cenário global instável.