Lula quer unir Brasil e África do Sul na exploração de minerais estratégicos, visando desenvolvimento e tecnologia sem exclusividade com outras nações.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs uma colaboração estratégica com a África do Sul para a exploração conjunta de minerais críticos e terras raras. A ideia é que ambos os países avancem nessa área sem conceder exclusividade a outras nações, fortalecendo suas economias e capacidades tecnológicas.
Durante um encontro com o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa em Brasília, Lula destacou o potencial das reservas minerais dos dois países. Ele enfatizou a necessidade de transformar esses recursos naturais em desenvolvimento tecnológico e econômico, evitando que continuem sendo exportados sem agregar valor industrial localmente.
“Já levaram nossa prata, todo o nosso ouro, já levaram todo o diamante, já levaram todo o nosso minério, o que mais querem levar? Quando é que gente vai aprender que Deus colocou toda essa riqueza para nós, e nós ficamos dando para outros”, questionou Lula, ressaltando a importância de aproveitar essas riquezas em benefício próprio. Conforme informação divulgada pelo Palácio do Planalto, a cooperação bilateral visa exatamente reverter esse histórico.
Minerais essenciais para a transição energética e digitalização
Lula explicou que Brasil e África do Sul possuem um volume significativo de minerais considerados essenciais para setores estratégicos da economia global. Estes incluem matérias-primas fundamentais para tecnologias ligadas à transição energética, como a produção de veículos elétricos e energias renováveis, além da digitalização da indústria.
Ampliação do mapeamento geológico como prioridade
O presidente brasileiro defendeu a necessidade de os governos ampliarem o levantamento geológico em seus territórios. O objetivo é identificar novas reservas de minerais críticos e terras raras. Segundo Lula, o Brasil, por exemplo, conhece apenas cerca de 30% de seu território em termos de mapeamento mineral, o que demonstra um vasto potencial a ser explorado.
Crítica ao modelo de exportação de commodities e busca por valor agregado
Lula criticou veementemente o modelo histórico de exportação de commodities sem o devido processamento industrial. Ele alertou que repetir esse padrão com minerais críticos seria um grave erro estratégico para países ricos em recursos naturais. “O Brasil não vai fazer das terras raras o que foi feito com o minério de ferro. A gente vendeu o minério e comprou produto acabado pagando cem vezes mais caro”, declarou.
Fortalecimento de cadeias produtivas e criação de empresas conjuntas
A meta estabelecida é fortalecer as cadeias produtivas dentro do Brasil e da África do Sul. Isso significa garantir que as etapas de transformação industrial e produção de tecnologia ocorram dentro dos próprios países. Lula também mencionou a possibilidade de criar empresas de exploração mineral com participação direta dos governos, assegurando que as riquezas gerem conhecimento e melhorem a vida da população. “É uma questão de tomada de decisão política. Nós que temos terras raras e minerais críticos precisamos tirar proveito para que nós possamos fazer disso forma de enriquecimento, de conhecimento, para que o nosso povo possa viver melhor”, concluiu o presidente.