O preço do barril de petróleo Brent, referência internacional, disparou para quase US$ 120, o maior valor desde julho de 2022, impulsionado pelos receios de desabastecimento decorrentes da escalada do conflito no Oriente Médio. A instabilidade na região, afetando rotas comerciais cruciais, projeta reflexos significativos no cenário energético global e brasileiro.
O barril de petróleo Brent, que serve como parâmetro para o mercado internacional, registrou uma alta expressiva de mais de 17% no último domingo, alcançando a marca de quase US$ 120. Este patamar não era visto desde julho de 2022, evidenciando a forte apreensão dos mercados com possíveis interrupções no fornecimento de petróleo.
Às 7h30 desta segunda-feira, o Brent era negociado a US$ 109,62, com um acréscimo de 17,53%, de acordo com dados da Bloomberg compilados pela Agência EFE. Essa valorização é um reflexo direto do aumento das tensões geopolíticas na região.
A escalada bélica entre Estados Unidos, Israel e Irã, que se intensificou desde 28 de fevereiro, tem sido o principal motor dessa volatilidade. O conflito afeta diretamente o Estreito de Ormuz, um corredor marítimo vital por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, aumentando o temor de gargalos na oferta.
O impacto no Brasil: alerta para o diesel
Para o Brasil, um dos principais receios é a pressão sobre os preços e a disponibilidade do óleo diesel. A dependência de importações para suprir a demanda interna torna o país particularmente vulnerável a choques externos no mercado de petróleo.
Atualmente, quase 25% do óleo diesel consumido no Brasil tem origem em outros países. Diante disso, a instabilidade no Oriente Médio e o consequente aumento do preço do petróleo e seus derivados podem se traduzir em custos mais elevados para o consumidor final e para diversos setores da economia brasileira.
Na última sexta-feira, o próprio Brent para entrega em maio já havia fechado em alta superior a 8%, aproximando-se dos US$ 93. A valorização acumulada desde o início do conflito ultrapassa os 40%, demonstrando a magnitude da recente turbulência nos mercados energéticos.
O WTI também sente a pressão
O petróleo intermediário do Texas (WTI), outra importante referência no mercado global, também acompanhou a tendência de alta. O preço do WTI disparou 15,14%, atingindo US$ 104,86 antes mesmo da abertura oficial do mercado nos Estados Unidos. Essa sincronia nas altas reforça a percepção de um cenário de oferta sob pressão.
A situação exige atenção redobrada de governos e empresas, pois a continuidade da instabilidade no Oriente Médio pode gerar efeitos em cascata na economia global, afetando desde o custo de transporte até a inflação em diversos países, incluindo o Brasil.