Lula promete “guerra” contra “jogo do tigrinho” e cassinos digitais, mas regulamentação ocorreu em seu próprio governo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou neste sábado (7) que pretende combater o avanço dos chamados “jogos do tigrinho” e outros “cassinos digitais” no Brasil. Segundo ele, o objetivo é evitar que essas plataformas causem vício e tragam prejuízos financeiros para as famílias brasileiras, afetando principalmente as mulheres.
A declaração foi feita durante um pronunciamento em celebração ao Dia Internacional da Mulher. Lula destacou que, embora a maioria dos viciados em apostas sejam homens, são as mulheres que sofrem as consequências financeiras, com o dinheiro destinado à alimentação, aluguel e educação das crianças desaparecendo nas telas dos celulares.
“Não faz sentido permitir que os jogos do tigrinho entrem nas casas, endividando as famílias pelo celular. Vamos trabalhar unindo o governo, o Congresso e o Judiciário para que esses cassinos digitais não continuem endividando famílias e destruindo lares”, afirmou o presidente. No entanto, é importante notar que a regulamentação das apostas online no Brasil, que permite a arrecadação de impostos sobre os ganhos dessas empresas, ocorreu durante o governo Lula, após terem sido liberadas inicialmente no governo de Michel Temer.
Combate à violência contra a mulher e programas sociais em foco
O pronunciamento de Lula também abordou a violência contra as mulheres, um tema prioritário em sua campanha presidencial. Ele mencionou que, a cada seis minutos, uma mulher é assassinada no Brasil, e ressaltou a assinatura do Pacto Nacional contra o Feminicídio em fevereiro, além de uma operação do Ministério da Justiça que visa prender mais de 2 mil agressores.
Sem apresentar dados concretos sobre a redução da violência, o presidente citou programas sociais como o Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida, além de novas iniciativas como o Pé-de-Meia, Gás do Povo e Luz do Povo, e a distribuição gratuita de absorventes, como medidas de apoio às mulheres.
Defesa do fim da escala 6×1 e críticas ao discurso de ódio
Lula reiterou sua defesa pelo fim da escala de trabalho 6×1, argumentando que ela impõe uma jornada exaustiva de seis dias por semana, prejudicando o tempo das mulheres com a família, estudos e descanso. Ele classificou o fim dessa escala como uma “pauta da mulher brasileira”.
O presidente também criticou o discurso de ódio nas redes sociais, descrevendo-o como uma prática que “violenta, difama, incentiva a agressão contra as mulheres e meninas” e afasta lideranças femininas da vida pública. A regulamentação das redes sociais tem sido uma bandeira defendida por Lula, que chegou a solicitar um especialista para auxiliar o Brasil no tema durante viagem à China, gerando debates sobre um possível viés autoritário do governo.