Paraná lidera satisfação com SUS usando menos recursos: o segredo da gestão eficiente
A saúde pública no Brasil frequentemente se debate entre a necessidade de mais investimento e a realidade da precariedade. No entanto, o Paraná demonstra que existe um caminho alternativo: a **eficiência administrativa**. Uma pesquisa da Genial/Quaest em 2025 revelou que o estado lidera em satisfação da população com os serviços de saúde, superando gigantes como Minas Gerais e São Paulo.
O que chama a atenção é que, entre os quatro estados mais bem avaliados, o Paraná utilizou o menor percentual de sua receita líquida em saúde, 12,24%, apenas ligeiramente acima do piso constitucional de 12%. Isso indica uma gestão focada na satisfação do usuário, na organização da rede e no uso inteligente do dinheiro público.
O Sistema Único de Saúde (SUS) é um pilar fundamental, reconhecido por sua vasta cobertura e papel constitucional. Contudo, sua necessidade de aprimoramento é inegável. O Paraná oferece um modelo de como essa melhoria pode ser alcançada, conforme informação divulgada pela Genial/Quaest.
Combatendo o “Turismo de Ambulância” com Regionalização
Um dos entraves históricos do SUS é a concentração de procedimentos de alta complexidade em grandes centros, gerando o chamado “turismo de ambulância”. Pacientes do interior viajam longas distâncias para exames e cirurgias que poderiam ser realizados mais perto de casa, sobrecarregando hospitais de referência e impondo custos sociais e emocionais às famílias.
A estratégia do governo Ratinho Junior foi **regionalizar o atendimento**, priorizando parcerias com prefeituras, secretarias e consórcios. O programa Opera Paraná é um exemplo claro dessa iniciativa, que reorganizou a oferta de cirurgias eletivas. Em quatro anos, o número de procedimentos saltou de cerca de 330 mil para 786 mil anualmente, o que equivale a quase 2,2 mil cirurgias por dia.
Essa expansão foi viabilizada pelo financiamento e contratação de cirurgias em hospitais regionais, filantrópicos e municipais, integrando a rede e distribuindo a capacidade de atendimento. A ideia foi ampliar a oferta onde há demanda e estrutura, em vez de concentrar em locais já saturados, devolvendo autonomia e qualidade de vida a quem espera por procedimentos.
Expansão de Infraestrutura e Novos Modelos de Atendimento
O mesmo princípio de descentralização orienta a expansão de leitos e a construção de novos hospitais no interior. O Paraná investiu R$ 751 milhões em 90 obras hospitalares, com foco em serviços de média e alta complexidade. Foram entregues 12 novos hospitais, com outros oito planejados para 2026.
Outro modelo pioneiro é o Pronto Atendimento Municipal (PAM), que padroniza o atendimento de urgência e emergência 24 horas em novas unidades. Com capacidade para 2,1 mil atendimentos diários e cuidado pré-hospitalar integrado, 52 novos PAMs estão previstos, sendo dois já entregues em 2025.
Um Método para o Futuro do SUS
O SUS, com sua capilaridade e papel constitucional, merece ser valorizado, mas também aprimorado. O desafio é incorporar a **gestão eficiente** na saúde pública. O Paraná apresenta um método claro: regionalizar, integrar serviços, medir produtividade e financiar com base em dados.
Essa experiência demonstra que é possível oferecer mais e melhor atendimento, com responsabilidade e respeito ao dinheiro público, um modelo que o estado se propõe a compartilhar para inspirar outras regiões do país.