Psol opta por seguir caminho próprio ao rejeitar federação com o PT, contrariando expectativas
O Diretório Nacional do Psol tomou uma decisão significativa neste sábado (7), optando por **rejeitar a proposta de formar uma nova federação com o PT**, que seria chamada Brasil da Esperança. A ideia contava com o apoio de figuras proeminentes do partido, como o ministro Guilherme Boulos e a deputada Érika Hilton, e sua recusa evidencia um **importante racha na esquerda** em um momento crucial do calendário eleitoral.
A discussão sobre a federação ocorreu durante um encontro virtual do Psol. Além de dizerem não à união com o PT, os filiados do partido de Boulos decidiram **renovar a atual federação com o Rede Sustentabilidade** por mais quatro anos. Apesar da divergência, o racha não deve afetar o apoio do Psol à candidatura de reeleição do presidente Lula (PT) em outubro, já que o partido não pretende lançar um candidato próprio à Presidência.
A proposta de união com o PT era uma bandeira defendida pela corrente Revolução Solidária, liderada por Guilherme Boulos. Segundo ele, a federação seria fundamental para **”coordenar melhor nossas forças nas eleições e fortalecer a presença nos parlamentos”**, citando como exemplo a necessidade de união para enfrentar o que chamou de “Congresso Inimigo do Povo”.
Argumentos a favor da federação: união contra o “Congresso Inimigo do Povo”
A deputada estadual pelo Psol em Minas Gerais, Bella Gonçalves, também defendeu a federação com o PT em um artigo. Ela ressaltou que a soma de partidos conservadores com o Centrão cria uma maioria no Congresso Nacional que **”coloca o governo Lula sob permanente tensão”**, dificultando a aprovação de medidas essenciais. Para Gonçalves, a construção de um projeto de esquerda passa pela união e por alianças estratégicas, e não pelo isolamento.
“A federação não apaga nossa identidade. Pelo contrário, fortalece um Psol mais maduro, menos sectário e mais conectado com as necessidades reais da classe trabalhadora”, argumentou a deputada. Ela enfatizou que o que está em jogo é o **”futuro do Brasil”** e a necessidade de reeleger Lula para combater a relevante força social e institucional do bolsonarismo.
A deputada estadual do PT no Rio Grande do Sul, Laura Sito, também se manifestou em favor da federação, vendo-a como uma forma de **defender o país “do avanço do fascismo”**. Segundo ela, um partido isolado tem dificuldade em influenciar as grandes questões nacionais, e a prioridade da esquerda é a reeleição de Lula, o que exige a aglutinação de forças.
Oposição à federação: preservando a “identidade política” do Psol
Em contrapartida, a deputada federal Sâmia Bomfim (Psol-SP), juntamente com outros parlamentares como Luiza Erundina, Ivan Valente, Glauber Braga e Chico Alencar, posicionou-se contra a federação com o PT. Eles argumentam que a manutenção de federações separadas **fortalecerá o campo progressista e ampliará a diversidade de vozes e representação social**, contribuindo para a base de apoio à reeleição de Lula.
O artigo assinado por eles defende que Psol e PT cumprem **”papéis complementares”**. Enquanto o PT representa a força de um grande partido de governo, o Psol, com sua identidade e liberdade política, tem a capacidade de impulsionar agendas políticas, sociais, culturais e ambientais específicas. A decisão de não federar com o PT visa **”preservar essa independência política”**, embora o partido reitere seu apoio à coligação presidencial.