Lula Tenta Se Desvincular de Alexandre de Moraes, Mas Teme Reação e Consequências Eleitorais

Lula Tenta Se Desvincular de Alexandre de Moraes, Mas Teme Reação e Consequências Eleitorais

Resumo

Lula ensaia “largar a mão” de Moraes, mas teme consequências eleitorais e reação do ministro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem demonstrado um movimento de descolamento em relação ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em meio à crescente crise institucional que envolve o Judiciário. Aliados do Palácio do Planalto buscam isolar a imagem do presidente das polêmicas envolvendo os ministros, tratando a tensão como um problema alheio à esfera presidencial.

No entanto, a avaliação no núcleo da campanha petista é que a percepção pública negativa sobre a atuação de Moraes tem recaído diretamente sobre Lula. O próprio presidente voltou a se referir a Moraes como “ministro de [Michel] Temer” e, em entrevista recente, questionou a apuração de responsabilidades no caso Master, afirmando que “Se o Alexandre de Moraes é culpado, ele tem que pagar”.

Essa postura sinaliza uma defesa da investigação e eventual responsabilização do ministro, caso irregularidades sejam comprovadas. O objetivo é conter o desgaste eleitoral, mas o movimento é delicado e cercado de receios, conforme aponta o cientista político Leandro Gabiatti. Conforme informação divulgada pela fonte, “Para quem está no poder, a campanha é o momento fundamental para defender seu mandato e a continuidade, e Lula não está conseguindo fazer esse movimento”.

O Dilema de Lula: Distanciamento ou Aliança Política?

A orientação central de parte do staff petista é que Lula peça publicamente que Moraes se licencie da Corte para se defender das recentes revelações sobre sua relação com Daniel Vorcaro e o Banco Master. Essa tentativa de desvinculação, porém, não é isenta de riscos e pode gerar desconforto, especialmente pelo histórico de decisões de Moraes que foram cruciais para o projeto político do PT, como sua atuação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2022 e a condução de processos contra Jair Bolsonaro.

Lula já havia demonstrado preocupação com o impacto das denúncias em conversas reservadas com Moraes em abril. Na ocasião, aconselhou o ministro a não permitir que o caso Vorcaro “jogue fora a sua biografia”. Contudo, foi desestimulado por ministros aliados, como Gilmar Mendes e Flávio Dino, que pediram a Lula para não atacar Moraes diretamente.

Riscos da Desvinculação e a Percepção Pública

O estrategista eleitoral Roberto Reis adverte que a tentativa de desvinculação pode ser inútil e criar uma armadilha para Lula. “Lula e Moraes estão vinculados na percepção pública depois de anos de proximidade, e uma tentativa de separação a cerca de 20 dias da eleição poderia produzir mais notícias sobre a relação entre os dois do que efetivamente afastá-los aos olhos do eleitor”, afirma Reis.

Reis compara a situação a outros momentos em que Lula “rifou” aliados politicamente, como José Dirceu e Antonio Palocci. Contudo, ressalta a diferença de tempo para costurar uma estratégia de afastamento, algo que, segundo ele, a campanha teria pouco mais de três semanas para produzir um efeito significativo.

Ameaça de “Show de Horrores” no STF e Impacto Eleitoral

A crise no STF pode atingir seu ápice com a análise de um relatório da Polícia Federal que envolve Alexandre de Moraes. A expectativa era de uma sessão aberta para analisar o caso, mas o decano da Corte, Gilmar Mendes, pediu o adiamento. O principal embate gira em torno de um relatório da Polícia Federal que apura dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, envolvendo Moraes e o ministro André Mendonça.

Para Reis, um embate público no plenário do STF seria especialmente prejudicial para a campanha de Lula, pois manteria o Supremo no centro da agenda. “Se isso virar um show de horrores, acabou para o Lula naquele dia”, alerta o estrategista. “Porque, na opinião pública, o André Mendonça está aparecendo como o lado correto e o Alexandre como o vilão. Se houver uma briga aberta entre eles, o presidente não consegue mais tirar o assunto da campanha.”

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