Guerra Comercial EUA x China Abre Portas para Brasil: Exportações em Alta e Investimentos Atrativos, Aponta Economista

Guerra Comercial EUA x China Abre Portas para Brasil: Exportações em Alta e Investimentos Atrativos, Aponta Economista

Resumo

Tensões globais impulsionam o agronegócio brasileiro e abrem caminho para investimentos em infraestrutura e minerais estratégicos, segundo especialista.

A crescente disputa comercial entre Estados Unidos e China, descrita como uma nova “guerra fria”, está criando um cenário de oportunidades significativas para o Brasil. O país pode expandir suas exportações agrícolas e atrair investimentos estrangeiros, capitalizando sobre os atritos entre as duas maiores economias do mundo.

O economista Marcos Troyjo, com vasta experiência em finanças internacionais, destaca que o Brasil tem a chance de consolidar sua posição como um fornecedor global crucial de alimentos. A demanda chinesa, em particular, apresenta um potencial de crescimento expressivo, impulsionado pela necessidade de garantir o abastecimento de sua vasta população.

Essas dinâmicas internacionais, aliadas a acordos comerciais estratégicos e à busca por matérias-primas essenciais para novas tecnologias, posicionam o Brasil de forma vantajosa. No entanto, desafios como a infraestrutura e a tributação precisam ser endereçados para que o país maximize esses benefícios. A análise foi divulgada em entrevista ao “Money Week 2026”, em Balneário Camboriú (SC).

Brasil se aproxima da liderança mundial em exportações agrícolas

As exportações agrícolas brasileiras alcançaram a marca de US$ 169,2 bilhões no último ano, ficando apenas US$ 2 bilhões abaixo dos Estados Unidos, que registraram US$ 171 bilhões. Essa proximidade, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA e do Ministério da Agricultura do Brasil, é um reflexo direto da guerra comercial com a China.

Troyjo observa que, embora a interdependência entre EUA e China permaneça alta, com um fluxo comercial de cerca de US$ 1,8 bilhão por dia, os pontos de atrito são oportunidades para o Brasil. Historicamente, os EUA foram o principal fornecedor de alimentos para a China, mas nos últimos cinco anos, o Brasil assumiu essa posição.

A China, com sua população crescente e renda em elevação, busca diversificar suas fontes de importação de alimentos. Isso leva o país asiático a reduzir suas compras de nações como Estados Unidos, Austrália e Europa, enquanto amplia suas aquisições do Brasil, consolidando-o como um parceiro estratégico no abastecimento global.

Acordo Mercosul-UE impulsiona vendas e abre mercado europeu

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE), negociado quando Troyjo era Secretário Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais, também se mostra promissor. Desde sua entrada em vigor, o acordo zerou ou reduziu tarifas para cerca de 5 mil produtos brasileiros.

Nos primeiros dois meses após a implementação, as vendas do Brasil para a UE cresceram US$ 2 bilhões em comparação com o mesmo período de 2025, um aumento de 26%, segundo a ApexBrasil. A agência estima que este acordo possa impulsionar as exportações brasileiras em até US$ 7 bilhões.

O aumento do protecionismo americano também incentivou os europeus a buscarem novas parcerias, favorecendo o Brasil. A União Europeia representa um mercado vasto, com 450 milhões de habitantes e um PIB 15% maior que o da China, com um terço de sua população, indicando um potencial ainda pouco explorado para as exportações brasileiras.

Infraestrutura e minerais críticos: novos focos de investimento

As deficiências históricas em infraestrutura no Brasil, como irrigação, armazenamento, portos e transporte ferroviário, ganham um novo significado em meio à insegurança alimentar e energética global. Troyjo acredita que esses gargalos se tornam oportunidades para atrair investimento estrangeiro.

O setor de logística brasileiro deve receber R$ 300 bilhões em investimentos, abrangendo concessões de rodovias, ferrovias e portos. Entre 2023 e 2025, leilões desse tipo de ativo já geraram contratos de R$ 262 bilhões, demonstrando o crescente interesse no setor.

Outra área com grande potencial são os minerais críticos, essenciais para setores como tecnologia, defesa e robótica. No entanto, Troyjo alerta que o Brasil precisa resolver sua alta carga tributária sobre mineração e refino, que chega a 33%, enquanto outros países cobram entre 18% e 19%. Essa diferença pode desincentivar o investimento interno no processamento desses materiais estratégicos.

A resolução dessa questão tributária será crucial para definir se o Brasil apenas fornecerá a matéria-prima ou se capturará o valor agregado na nova disputa tecnológica global.

Tags:

Notícias todos os dias!

De domingo a domingo, as notícias que você não pode perder em seu e-mail.

Veja também