Perícia Independente Afirma: Dinheiro do Filme “Dark Horse” é Privado e Comprovadamente Rastrável
Uma perícia contratada pela defesa da produtora Karina da Gama apresentou conclusões importantes sobre a origem dos recursos destinados ao filme “Dark Horse”. O laudo técnico, assinado pelo perito Anísio Costa Castelo Branco, analisou a documentação referente ao filme e determinou que os valores investidos são de origem privada e totalmente rastreáveis.
A análise detalhada da documentação comprovou que os recursos foram movimentados por meios formais e sua origem está devidamente documentada. Essa conclusão diverge de alegações que apontavam para o uso de verbas públicas na produção da cinebiografia.
As investigações, que ganharam destaque após o levantamento de sigilo de processos pelo ministro do STF André Mendonça, buscam apurar a ligação entre emendas parlamentares e o financiamento do filme. No entanto, a perícia recente traz um novo elemento a esse debate, focando na comprovação da natureza privada do investimento. As informações foram divulgadas após o ministro Flávio Dino dar transparência à investigação sob sua relatoria, que apura o uso de emendas do deputado federal Mario Frias na produção.
Investimento de US$ 13,3 Milhões é de Fundo Privado no Texas
Segundo o laudo pericial, o investimento total na produção do filme “Dark Horse” somou US$ 13,3 milhões. Desse montante, US$ 3,7 milhões foram aplicados em operações no Brasil e US$ 9,6 milhões nos Estados Unidos. O investidor inicial identificado foi o Havengate Development Fund, um fundo imobiliário sediado no Texas.
O inquérito sob relatoria do ministro Mendonça investiga a conexão entre esse dinheiro e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A linha de investigação aponta que o valor teria transitado da Entre Investimentos para o Havengate, a pedido de Vorcaro e após solicitação do senador Flávio Bolsonaro. O senador, por sua vez, nega qualquer irregularidade, afirmando que os recursos eram privados e que desconhecia as pendências atribuídas ao banqueiro na época dos diálogos.
Acordo de Delação Premiada e Mensagens Revelam Conexões
Recentemente, o ministro Mendonça homologou um acordo de delação premiada com o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”. Ele é o dono da Entre Investimentos, empresa que teria repassado US$ 12,3 milhões ao Havengate sob ordens de Vorcaro. Mensagens interceptadas nas apurações indicam que Flávio Bolsonaro cobrava Vorcaro sobre pagamentos de patrocínio, reforçando a linha de investigação sobre a intermediação financeira.
A defesa de Karina da Gama sustenta que todos os recursos foram privados e que não houve qualquer repasse governamental ou financiamento público. A perícia reforça essa tese ao não encontrar qualquer evidência de valores oriundos de incentivos fiscais, como a Lei Rouanet, ou patrocínios públicos e privados. A produtora nega veementemente qualquer hipótese de irregularidade em sua atuação.
Emendas Parlamentares e Institutos Presididos por Karina em Investigação
O caso também envolve a investigação sobre emendas parlamentares associadas a Karina da Gama. Ela é presidente do Instituto Conhecer Brasil (ICB), que recebeu R$ 2 milhões em emendas do deputado federal Mario Frias para projetos sociais. Um dos projetos, “Lutando pela Vida”, focava em oficinas de artes marciais, enquanto o “Jovem Empreendedor” visava cursos de empreendedorismo e inclusão digital.
Paralelamente, outros parlamentares destinaram R$ 2,6 milhões à Academia Nacional de Cultura (ANC), presidida também por Karina, para uma série sobre “heróis nacionais”. A coincidência de Karina presidir o ICB e a ANC, entidades registradas no mesmo endereço, chamou a atenção dos investigadores. Além disso, parlamentares como Marcos Pollon, Bia Kicis, Carla Zambelli e Alexandre Ramagem também estão sob escrutínio.
Contrato Milionário com a Prefeitura de São Paulo sob Suspeita
Uma terceira frente de investigação, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo, apura um contrato de R$ 108 milhões entre o ICB e a Prefeitura paulistana. O objetivo era instalar 5 mil pontos de Wi-Fi gratuito na capital, com subcontratações para as empresas Ultra IP e Favela Conectada. O valor do contrato sofreu alterações ao longo do processo, reduzindo-se para R$ 69 milhões.
Levantamentos apontam que apenas o ICB participou da licitação, gerando suspeitas de direcionamento. O Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCM-SP) identificou ao menos 20 irregularidades no edital. Relatórios indicam que o ICB, historicamente atuante em eventos religiosos, não possuía experiência prévia comprovada em tecnologia para executar o projeto. Há ainda suspeitas de sobrepreço e superfaturamento, com valores de implantação e manutenção significativamente superiores aos praticados por órgãos públicos como a Prodam.