PF Investiga Cezinha de Madureira por Suspeita de Tráfico de Influência em Tribunais Superiores e Negociação de Decisões Judiciais

PF Investiga Cezinha de Madureira por Suspeita de Tráfico de Influência em Tribunais Superiores e Negociação de Decisões Judiciais

Resumo

PF mira Cezinha de Madureira em operação contra tráfico de influência em tribunais superiores e suspeita de negociação de sentenças.

A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira, 14 de setembro, a terceira fase da Operação Transparência. A ação investiga suspeitas de **tráfico de influência**, exploração de prestígio, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A operação cumpre quatro mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo. As primeiras informações apontam o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) como principal alvo das investigações. Segundo a PF, integrantes do grupo investigado teriam negociado o pagamento de valores expressivos para influenciar o resultado de processos judiciais.

É importante ressaltar que, conforme comunicado da PF, **não há elementos que indiquem a participação de integrantes do Poder Judiciário** nos fatos apurados até o momento. A Gazeta do Povo procurou o deputado para se pronunciar e aguarda retorno.

Cezinha de Madureira e a Conexão com o STF

Cezinha de Madureira, amigo e aliado do ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF), é suspeito de ter articulado um contato entre o magistrado e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A operação ocorre em um momento delicado, um dia antes do julgamento no STF de um relatório da Polícia Federal que apontou diálogos do empresário com o ministro Alexandre de Moraes.

Origem da Operação Transparência e Foco em Emendas Parlamentares

A nova etapa da Operação Transparência é um desdobramento de uma investigação iniciada em dezembro de 2025. Inicialmente, a apuração focava em possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares. Na primeira fase, a ex-assessora do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), Mariângela Fialek, foi o principal alvo.

Mariângela Fialek atuava no setor responsável pela organização da indicação de emendas parlamentares. Na primeira fase da operação, foram realizadas buscas em salas utilizadas por ela na Câmara e em sua residência, além da apreensão de um celular. A decisão do ministro Flávio Dino, do STF, na época, indicou elementos de possível atuação direta de Mariângela na distribuição de emendas, com base em relatos de deputados, documentos e planilhas.

Depoimentos e Suspeitas de “Conta de Padaria”

A investigação sobre Mariângela Fialek teve início após depoimentos de diversos parlamentares, incluindo Glauber Braga (PSOL-RJ), José Rocha (União-BA), Adriana Ventura (Novo-SP), Fernando Marangoni (União-SP) e Dr. Francisco (PT-PI), além do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) e da servidora Elza Carneiro da Câmara dos Deputados. O ministro Dino mencionou em sua decisão alterações manuais no destino de recursos, que ele descreveu como funcionamento em “conta de padaria”.

Parte das verbas investigadas tinha como destino a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), onde Mariângela Fialek ocupava o cargo de conselheira fiscal. Segundo a avaliação da Polícia Federal, os elementos reunidos reforçam a hipótese de uma estrutura organizada para direcionar emendas de forma irregular, beneficiando aliados políticos e bases eleitorais ligadas ao então presidente da Câmara.

Investigação Aponta Estrutura Criminosa para Desvio de Emendas

Na decisão que autorizou as buscas, o ministro Dino afirmou que Mariângela Fialek parecia exercer controle sobre indicações desviadas de emendas, decorrentes do chamado “orçamento secreto”. O objetivo seria beneficiar uma provável organização criminosa voltada à prática de desvios funcionais e crimes contra a administração pública e o sistema financeiro nacional.

A Polícia Federal considera que os elementos coletados na investigação sustentam a tese de uma estrutura organizada para o direcionamento irregular de emendas. Essa prática visaria beneficiar aliados políticos e bases eleitorais específicas, especialmente aquelas ligadas à presidência da Câmara dos Deputados à época.

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