Flávio Bolsonaro e Lula em Disputa Acirrada pela Menor Rejeição Eleitoral, Aponta Pesquisa Quaest
A polarização política no Brasil parece caminhar para um cenário familiar em 2026, com o senador Flávio Bolsonaro (PL) emergindo como o principal adversário de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida presidencial. Uma recente pesquisa Genial/Quaest revela que, além de disputar intenções de voto, ambos os políticos travam uma batalha acirrada pela menor taxa de rejeição entre o eleitorado brasileiro.
Essa dinâmica de rejeição mútua pode se tornar o fator decisivo para o resultado das eleições, especialmente em um eventual segundo turno. Especialistas em sondagens eleitorais ouvidos pela Gazeta do Povo destacam que, em cenários polarizados, a capacidade de um candidato não ser rejeitado por uma parcela significativa do eleitorado é crucial para a vitória.
A pesquisa, divulgada em fevereiro, também indica a consolidação de um eleitorado fiel para ambos os lados, com pouca margem para o surgimento de uma “terceira via” competitiva. Nenhum outro pré-candidato alcança 10% das intenções de voto no primeiro turno, evidenciando a força da polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, conforme dados da Quaest.
Flávio Bolsonaro Ganha Espaço e Reduz Rejeição, Diz Pesquisa
Nos últimos meses, Flávio Bolsonaro tem visto seu nome se consolidar como o principal representante da direita na oposição ao projeto de reeleição de Lula. Segundo o diretor de Inteligência em Opinião e Política da Quaest, Guilherme Russo, o percentual de brasileiros que afirmam conhecer e votariam em Flávio subiu de 28% para 36%.
Paralelamente, a rejeição ao senador recuou de 60% para 55% no comparativo entre os levantamentos de dezembro e fevereiro. O desconhecimento sobre Flávio Bolsonaro também diminuiu, caindo de 12% para 9%, o que demonstra um ganho de visibilidade após ser escolhido por seu pai, Jair Bolsonaro, como pré-candidato.
Russo ressalta que, em uma eleição polarizada, a decisão final tende a ser mais influenciada pela rejeição ao adversário do que pela capacidade de conquistar a maioria absoluta do eleitorado. Ele aponta que Flávio Bolsonaro possui um potencial de voto significativo dentro do espectro da “direita não bolsonarista”, com 72% de preferência e um índice de rejeição de 22%.
Lula e Flávio Bolsonaro Empatados em Rejeição, Aponta Levantamento
A última pesquisa Genial/Quaest confirma a proximidade entre Lula e Flávio Bolsonaro em termos de rejeição. O candidato do PL é rejeitado por 55% dos entrevistados, enquanto Lula apresenta 54% de rejeição. Este cenário de alta rejeição mútua é um indicativo de que a próxima eleição presidencial pode ser decidida pela capacidade de cada candidato mobilizar sua base e, ao mesmo tempo, atrair eleitores que simplesmente não querem o adversário no poder.
Em um eventual segundo turno, a pesquisa Quaest aponta que Lula venceria Flávio Bolsonaro por 43% a 38%. Contudo, a margem de vantagem do petista diminuiu consideravelmente desde dezembro, quando era de 10 pontos percentuais (46% contra 36%). Essa redução na diferença sugere um cenário cada vez mais competitivo.
Estratégia de Moderação de Flávio Bolsonaro e o Eleitor Indeciso
Para especialistas como Cila Schulman, diretora-executiva do instituto Ideia, o discurso moderado adotado por Flávio Bolsonaro em sua pré-candidatura é uma estratégia calculada para diminuir sua rejeição e atrair apoio de outros partidos. Essa abordagem visa construir pontes com o centro político e ampliar seu alcance eleitoral.
Uma pesquisa Meio/Ideia aponta um empate técnico entre Lula e Flávio no segundo turno, com o petista à frente com 45,8% das intenções de voto contra 41,1% do pré-candidato do PL. Na mesma pesquisa, Lula é o mais rejeitado (44%), seguido por Flávio com 34%.
Schulman pondera que a rejeição é um indicador difícil de mudar, e o foco dos candidatos deve se voltar para os eleitores indecisos, embora estes estejam cada vez mais escassos. A eleição, segundo ela, será decidida por uma pequena parcela do eleitorado que busca melhorias concretas em suas vidas, e não apenas por ideologia.
A Batalha do “Antipetismo de Chegada” e o Legado dos Sobrenomes
A rejeição a Lula é, em parte, atribuída à sua longa trajetória política, enquanto Flávio Bolsonaro carrega a rejeição herdada pelo sobrenome, mas também o potencial de votos associado a ele. A campanha de Flávio pode tentar atrair eleitores que rejeitam o ex-presidente Bolsonaro, mas que poderiam se aliar a ele contra Lula.
O “antipetismo de chegada” pode ser o fator decisivo para definir quem disputará o segundo turno contra Lula. Esse fenômeno ocorre quando eleitores de direita, no final do primeiro turno, optam pelo candidato que acreditam ter maior chance de derrotar o petista, mesmo que não seja o seu preferido inicial. Essa escolha estratégica pode influenciar o resultado final.