Trump Reúne Líderes de Direita na Flórida para Cúpula "Escudo das Américas" Contra o Narcotráfico

Trump Reúne Líderes de Direita na Flórida para Cúpula “Escudo das Américas” Contra o Narcotráfico

Resumo

Trump sedia em Miami a cúpula “Escudo das Américas” para fortalecer combate ao narcotráfico e à criminalidade organizada.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebe neste sábado (7) em Miami uma série de líderes de direita da América Latina para o lançamento da iniciativa “Escudo das Américas”. O encontro visa intensificar a cooperação em segurança e o combate ao narcotráfico em todo o Hemisfério Ocidental, focando em governos alinhados ideologicamente com a agenda republicana.

A cúpula se destaca pela ausência de presidentes identificados com a esquerda regional, como Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, Gustavo Petro, da Colômbia, e Claudia Sheinbaum, do México. Essa configuração reflete uma estratégia da Casa Branca de priorizar parcerias com governos considerados “ideologicamente confiáveis”, conforme detalhado na Estratégia de Segurança Nacional de 2026.

A expectativa é que os líderes presentes assinem a “Carta de Doral”, um documento que reafirma o compromisso com a soberania hemisférica, o livre mercado e a colaboração contra organizações criminosas transnacionais. O encontro ocorre após a conferência “Américas contra os Cartéis”, onde o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, sinalizou a disposição americana de agir militarmente, inclusive de forma unilateral, contra o narcoterrorismo na região, se necessário.

Líderes de direita confirmados na cúpula contra o narcotráfico

A lista de participantes confirmados pela Casa Branca inclui Javier Milei (Argentina), Rodrigo Paz (Bolívia), José Antonio Kast (Chile), Rodrigo Chaves (Costa Rica), Luis Rodolfo Corona (República Dominicana), Daniel Noboa (Equador), Nayib Bukele (El Salvador), Irfaan Ali (Guiana), Nasry “Tito” Asfura (Honduras), José Raúl Mulino (Panamá), Santiago Peña (Paraguai) e Kamla Persad-Bissessar (Trinidad e Tobago). A reunião busca consolidar uma frente unida contra as ameaças do narcotráfico.

EUA reafirmam disposição para ações, mas preferem parceria

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, declarou que Washington está preparado para agir contra as ameaças do narcotráfico, mesmo que isso signifique uma ofensiva unilateral. No entanto, ele ressaltou a preferência americana por uma ação conjunta com os vizinhos e aliados. O almirante Francis Donovan, comandante do Southcom, ecoou essa posição, afirmando que os EUA são um parceiro principal, mas não hesitarão em agir quando necessário.

Desde setembro passado, os Estados Unidos intensificaram operações, como a “Lança do Sul”, que resultou no bombardeio de 44 embarcações ligadas ao narcotráfico no Pacífico e no Caribe, com relatos de pelo menos 150 mortes. Essas ações demonstram a seriedade com que Washington trata a questão do combate ao crime organizado transnacional.

Estratégia de Segurança Nacional de 2026 e a influência de potências rivais

A cúpula “Escudo das Américas” faz parte da estratégia mais ampla da Casa Branca para o Hemisfério Ocidental, delineada na Estratégia de Segurança Nacional de 2026. Este documento prevê o fortalecimento de parcerias com governos considerados “ideologicamente confiáveis” e visa limitar a influência de potências como China, Rússia e Irã na América Latina. O combate ao narcotráfico é apresentado como um pilar fundamental para a estabilidade regional.

Ausência de Lula e declarações de Trump sobre relação bilateral

A não inclusão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na lista de convidados para o encontro em Miami chama a atenção, especialmente após declarações recentes de Trump indicando uma “boa relação” com o petista. Em fevereiro, Trump afirmou que se dava “muito bem” com Lula e que adoraria recebê-lo em Washington, embora sem confirmar datas. Lula, por sua vez, expressou a intenção de levar uma “comitiva técnica” ao país para discutir cooperação no combate ao crime organizado, envolvendo a Polícia Federal e ministérios-chave.

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