Haddad de Saída: Legado de Mais Impostos, Gastos e Dívida Explosiva sob o Comando da Fazenda

Haddad de Saída: Legado de Mais Impostos, Gastos e Dívida Explosiva sob o Comando da Fazenda

Resumo

Haddad deixa Fazenda com legado controverso de impostos, gastos e dívida pública em alta.

Fernando Haddad está prestes a deixar o Ministério da Fazenda, após mais de dois anos à frente da pasta. Sua saída, que vinha sendo especulada desde fevereiro, deve ocorrer ainda neste mês, com o ministro alegando “missão cumprida”. Nos bastidores, o nome mais cotado para substituí-lo é o do atual secretário-executivo, Dario Durigan. Haddad sinaliza intenção de se candidatar ao governo de São Paulo nas eleições de outubro.

O ministro tem defendido sua gestão, citando o cumprimento da meta de déficit primário, o baixo desemprego e o crescimento econômico como provas de sucesso. Ele chegou a desafiar ex-ministros da Fazenda para um debate sobre as contas públicas, criticando o que chamou de falta de “honestidade intelectual” na avaliação da economia.

No entanto, os números oficiais pintam um quadro diferente, com a trajetória explosiva da dívida pública nos últimos três anos como principal componente de seu legado. Essa escalada é atribuída à falta de controle dos gastos públicos, conforme apontam análises e dados divulgados. Acompanhe os detalhes dessa gestão.

Dívida Pública Dispara Sob Gestão Haddad

Quando Fernando Haddad assumiu a Fazenda em 2023, a dívida bruta do governo federal era de 71,7% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Banco Central. Ao final do primeiro ano de gestão, em 2023, o montante saltou para 74,3% do PIB. Em 2024, atingiu 76,1% do PIB, e projeções do Tesouro Nacional para 2025 indicam 79% do PIB. As expectativas de mercado são ainda mais alarmantes, com projeções chegando a 84,9% do PIB, de acordo com dados do Prisma Fiscal.

O economista Alexandre Manoel, sócio da Global Intelligence and Analytics, classifica a deterioração fiscal como “inequívoca”. Ele ressalta que o aumento da dívida pública nos últimos três anos foi expressivo, comparável apenas aos períodos de maior endividamento em décadas passadas. “Basta observar o tamanho do aumento da dívida — um aumento que, por exemplo, não ocorreu na gestão passada”, afirma Manoel.

Regra Fiscal Insuficiente e Artifícios Contábeis

Apesar das insistências do ministro em “esforços do governo” para o ajuste fiscal, a estratégia se ancorou em uma regra fiscal considerada frágil. João Mário de França, do FGV-Ibre, explica que a regra fiscal criada no início do governo “não assegurava, por si só, a sustentabilidade da dívida pública”.

A manutenção de juros elevados, segundo França, é uma consequência da ausência de uma regra fiscal robusta, com o Banco Central tentando conter pressões de demanda. Embora Haddad sustente o cumprimento das metas de resultado primário, o desempenho foi em grande parte alcançado por ajustes contábeis e exclusão de despesas do cálculo da meta, as chamadas medidas parafiscais.

Esses mecanismos, que ganharam corpo com despesas extraordinárias relacionadas a tragédias climáticas, permitiram o alcance de um déficit zero em 2025. Contudo, um déficit de cerca de 0,48% do PIB foi, na prática, convertido para 0,10% após tais ajustes. França avalia que, mesmo sem esses artifícios, o arcabouço não garantiria a sustentabilidade das contas, pois o superávit primário permitido é inferior ao necessário para estabilizar a dívida.

A Agenda de Aumento de Impostos e o Apelido “Taxad”

A busca por aumento de receitas teve um alto custo político, consolidando a imagem de Haddad como um ministro associado ao aumento de impostos, o que lhe rendeu o apelido de “Taxad”. A agenda arrecadatória ganhou centralidade com o arcabouço fiscal de 2024, marcada por intensas negociações no Congresso. O foco inicial foi reverter desonerações, reonerar combustíveis e aprovar a tributação sobre fundos exclusivos e offshores.

Um dos primeiros grandes embates ocorreu com a desoneração da folha de pagamentos, que enfrentou forte reação do Congresso e de setores empresariais, forçando o governo a recuar e sancionar a prorrogação do regime. Esse episódio expôs os limites da articulação política da Fazenda, estabelecendo um padrão de resistência parlamentar a medidas fiscais e negociações prolongadas.

Crises de Comunicação e “Fogo Amigo”

Fora do Congresso, Haddad enfrentou desgastes como a crise do Pix em 2024. Discussões técnicas sobre monitoramento de transações pela Receita Federal foram exploradas nas redes sociais como tentativa de taxação, ganhando escala após viralização de vídeos e expondo falhas na comunicação da equipe econômica.

Outro momento crítico foi o anúncio de um pacote de contenção de gastos em novembro de 2024, simultaneamente à sinalização de ampliação da isenção do Imposto de Renda. A combinação de mensagens de “austeridade” e “alívio tributário” consolidou a percepção de que o governo “dava com uma mão e tirava com a outra”, desgastando Haddad e desacreditando o ajuste fiscal.

Legado Ambíguo: Reformas e Desafios Fiscais

Após embates sobre o IOF e a desidratação de medidas provisórias, o governo concentrou esforços em contingenciamentos e negociações pontuais para viabilizar a aprovação do Orçamento de 2026. Na prática, o custo do ajuste foi transferido para o próximo governo.

A gestão de Haddad é creditada por alguns por reorganizar a base de arrecadação e avanços como a reforma tributária sobre o consumo e o Marco Legal das Garantias. No entanto, o economista Alexandre Manoel ressalta que, apesar desses méritos, “o legado é ambíguo”, com a dívida pública em trajetória explosiva.

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