Brasil e EUA se abstêm em votação crucial da ONU sobre paz na Ucrânia, gerando críticas internas e externas
A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) votou uma resolução de apoio a uma paz duradoura na Ucrânia, em um momento delicado que marca o quarto ano do conflito. A proposta, apresentada pela própria Ucrânia com apoio de mais de 45 países, pedia um cessar-fogo imediato e incondicional, além de reafirmar a soberania e integridade territorial ucraniana.
Contudo, a abstenção do Brasil e dos Estados Unidos na votação gerou reações contundentes, especialmente de senadores brasileiros. A resolução, embora não juridicamente vinculante, possui um forte peso político no cenário internacional, e a posição brasileira foi vista por muitos como um recuo em relação a princípios de justiça e liberdade.
A votação ocorreu em meio a debates sobre o impacto humanitário e econômico devastador da guerra, com estimativas da ONU apontando custos de reconstrução para a Ucrânia na casa dos US$ 588 bilhões na próxima década. Acompanhe os detalhes dessa decisão e as repercussões no Brasil.
Resolução na ONU busca cessar-fogo e troca de prisioneiros na Ucrânia
A resolução intitulada “Apoio a uma paz duradoura na Ucrânia” foi aprovada por 107 votos a favor, 12 contra e 51 abstenções. O texto enfatiza a necessidade de um cessar-fogo completo e imediato, exigindo também a troca integral de prisioneiros de guerra e a libertação de pessoas detidas ilegalmente. Além disso, a proposta solicita o retorno de civis, incluindo crianças, que foram transferidos ou deportados à força para a Rússia.
A votação aconteceu em uma sessão especial de emergência da Assembleia Geral, convocada devido ao bloqueio de discussões no Conselho de Segurança da ONU, onde a Rússia, como membro permanente, possui poder de veto. Moscou votou contra a resolução.
O conflito, que entrou em seu quarto ano, tem gerado um custo humanitário e econômico colossal. Autoridades da ONU apresentaram dados alarmantes sobre a necessidade de reconstrução, estimada em cerca de US$ 588 bilhões para a próxima década, um valor que representa aproximadamente três vezes o Produto Interno Bruto (PIB) da Ucrânia no último ano.
Senadores brasileiros criticam abstenção do governo Lula na ONU
A decisão do Brasil de se abster na votação da ONU sobre paz na Ucrânia foi duramente criticada por senadores como Hamilton Mourão, Damares Alves, Flávio Arns e Sérgio Moro. Em uma sessão da Frente Parlamentar Brasil-Ucrânia no Senado, os parlamentares expressaram vergonha e decepção com a postura adotada pela diplomacia brasileira.
A senadora Damares Alves declarou: “Que vergonha para o meu país. Mas eu quero deixar claro para os senhores embaixadores que aqui estão e para a Ucrânia que isso aqui não reflete, não reflete o desejo e a manifestação da sociedade brasileira. O Brasil ama a Ucrânia.” Ela ressaltou que a decisão de um governo nem sempre representa a vontade de uma nação.
A presença de embaixadores de diversos países, como Ucrânia, Polônia, Áustria, Eslováquia, Noruega, Holanda e República Tcheca, além de diplomatas de outras nações europeias e do Canadá, marcou a sessão de solidariedade.
Damares Alves cobra ações sobre crianças ucranianas sequestradas
Damares Alves também aproveitou a ocasião para cobrar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por, segundo ela, ter ignorado os esforços internacionais para resgatar cerca de 19 mil crianças e adolescentes ucranianos sequestrados pelas forças russas e levados a campos de reeducação e instituições de adoção na Rússia. Damares tem se envolvido ativamente em esforços para o resgate dessas crianças.
A senadora classificou o líder russo, Vladimir Putin, como “um líder sanguinário, assassino que colocou em risco a vida de milhões de crianças, de mulheres e de civis”, em referência ao mandado internacional de prisão emitido contra ele por crimes de guerra.
Mourão e Moro defendem posição clara do Brasil em prol da paz justa
O senador Hamilton Mourão manifestou seu constrangimento: “Sinto vergonha da posição que o nosso governo, não o Estado brasileiro, mas o atual representante do Estado brasileiro, tomou na reunião da ONU de se abster em relação à resolução que foi passada no dia de hoje.” Ele argumentou que o Brasil, por seu tamanho e influência, não pode se omitir em questões de justiça.
“A gente não pode se omitir. A gente tem que ter um lado. E o nosso lado tem que ser o lado da verdade, o lado da liberdade e o lado da justiça, que é o lado do povo ucraniano”, afirmou Mourão, em consonância com a posição defendida pela maioria dos presentes na sessão.
O senador Sérgio Moro, que também participou do debate, repudiou a guerra de invasão e defendeu que o Brasil adote uma posição clara a favor de uma paz justa para a Ucrânia nos foros internacionais, considerando os quatro anos de injustiça e sofrimento.
Comunidade ucraniana cobra cumprimento de promessas do Executivo
Vitório Sorotiuk, vice-presidente do Congresso Mundial de Ucranianos no Brasil, expressou a insatisfação da comunidade com o cumprimento de promessas feitas pelo presidente Lula. Segundo ele, o presidente havia prometido visitar Kyiv caso viajasse a Moscou, mas não honrou seu compromisso. Sorotiuk cobrou que o Executivo receba uma comissão da comunidade ucraniana o mais breve possível para discutir a situação.