Brasil se torna o novo porto seguro para o crime organizado na América Latina, enquanto vizinhos intensificam o combate ao narcotráfico.
O cenário político na América Latina mudou drasticamente, com a maioria dos países sul-americanos agora sob governos de direita. Essa guinada ideológica intensifica o combate ao crime organizado em nações como Argentina, Bolívia, Chile, Equador e Peru.
Enquanto potências como os Estados Unidos, sob a administração Trump, intensificam operações militares contra narcotraficantes, o Brasil, isolado ideologicamente na região, emerge como um refúgio estratégico para facções criminosas internacionais.
Essa nova realidade é detalhada em informações que indicam o fortalecimento de grupos como o Tren de Aragua, o PCC e o Comando Vermelho em território brasileiro, com consequências alarmantes para a segurança regional e global. Conforme informações divulgadas, o Brasil se tornou, na prática, o principal destino para a migração de facções criminosas internacionais.
Facções Internacionais Encontram Terreno Fértil no Brasil
O Tren de Aragua, facção venezuelana, já opera ativamente no Brasil, fornecendo armamento pesado, como fuzis, metralhadoras .50 e lança-granadas, diretamente ao Comando Vermelho. Essas armas, segundo a Operação Rota do Norte da Polícia Civil de Roraima, originam-se das Forças Armadas da Venezuela, Argentina e Peru.
Mesmo com a morte de Niño Guerrero, líder do Tren de Aragua, anunciada em junho de 2026, a organização continua sua expansão no Brasil, coordenando o fornecimento de armas e expandindo suas atividades criminosas.
Sebastián Marset, conhecido como “El Jugador” e procurado pela DEA, figura no topo da lista vermelha da Interpol. Considerado um dos maiores traficantes de cocaína do mundo, Marset tornou-se um parceiro estratégico do PCC, consolidando uma aliança forjada em convivência prisional e transformando o cartel uruguaio no braço logístico do PCC na rota Bolívia-Brasil-Paraguai-Europa.
Rotas Amazônicas e Portos Estratégicos: A Logística do Crime
A Tríplice Fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru é um epicentro do narcoturismo, onde ocorrem as maiores negociações de drogas e lavagem de dinheiro. O Comando Vermelho domina o lado brasileiro, com forte presença na Amazônia, enquanto o PCC também expande suas operações.
As rotas fluviais amazônicas, com destaque para o rio Solimões, são os principais corredores para o transporte de entorpecentes. De Manaus, a droga é escoada para o Pará e, a partir do porto de Vila do Conde, em Barcarena, segue para o Oceano Atlântico com destino à Europa e África.
A cocaína que sai do Brasil não apenas abastece mercados globais, mas também reconstrói redes criminosas internacionais, que, por sua vez, retroalimentam o país com armas, dinheiro e poder, criando um ciclo vicioso.
Brasil como Epicentro da Distribuição Global de Cocaína
A Colômbia é responsável por 70% da distribuição global de cocaína, mas o Brasil se consolidou como o principal mercado consumidor e ponto de trânsito na região. O Porto de Santos, o maior da América Latina, é um ponto crítico para a distribuição de cocaína para a Europa, com mais de 90% do tráfego controlado pelo PCC, segundo a Europol.
O PCC estabeleceu conexões com máfias italianas como a ‘Ndrangheta para distribuir cocaína na Europa, recebendo em troca armamentos provenientes do Paquistão. Essa operação global é facilitada pela “inoperância do governo federal brasileiro” na coordenação de políticas de combate ao tráfico pelo Porto de Santos.
A falta de uma estratégia governamental integrada permite que a droga saia do porto com “facilidade extraordinária”. A União Europeia, através da Europol, considera equiparar o PCC e o Comando Vermelho à condição de organizações terroristas, aumentando a pressão internacional sobre essas facções e sobre o Brasil.
Um Futuro de Desafios para a Segurança Brasileira
Com vizinhos de direita intensificando o combate ao crime, o Brasil se tornou um refúgio literal para facções criminosas. O PCC já opera em 29 países, e o Comando Vermelho expandiu sua atuação na Amazônia e em outras regiões.
O Tren de Aragua já fornece armas, e Sebastián Marset é um aliado consolidado do PCC. O Brasil não é mais um destino futuro do crime organizado, mas sim o presente. A ineficiência governamental em implementar políticas públicas eficazes de controle é um problema que não pode mais ser escondido, demandando ações urgentes para reverter essa tendência preocupante.