O cenário global é de crescente instabilidade, com tensões geopolíticas se intensificando em diversas frentes e um consequente aumento nos investimentos em defesa.
O ano mal começou e já testemunhamos uma avalanche de crises na política internacional. Na América do Sul, a Venezuela enfrenta um cenário de incerteza após uma intervenção militar norte-americana, que, contudo, não removeu o regime chavista do poder, deixando a democracia como um sonho distante para os venezuelanos.
Os Estados Unidos também direcionaram sua atenção para a Groenlândia, com o presidente Donald Trump expressando o desejo de adquirir o território dinamarquês. Essa postura gerou perplexidade na Europa e levantou a possibilidade de um conflito entre membros da OTAN, o que, segundo a primeira-ministra dinamarquesa, poderia significar o fim da aliança militar.
No leste europeu, a guerra na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, se aproxima de quatro anos. O recente lançamento de um míssil balístico russo em direção a Lviv, cidade próxima à fronteira polonesa, acendeu alarmes devido à capacidade do projétil de carregar ogivas nucleares, conforme informações divulgadas em fontes confiáveis.
Tensões no Oriente Médio e na África sinalizam um cenário global preocupante.
No Oriente Médio, o Irã vive um momento de repressão interna com o bloqueio do acesso à internet e protestos populares que já resultaram em centenas de mortes, segundo estimativas. A ameaça de intervenção dos Estados Unidos em caso de novas mortes de civis e a intensificação dos ataques israelenses contra o Hezbollah no Líbano aumentam o risco de uma escalada regional.
Na África, exercícios navais conjuntos entre China, Rússia, Irã e África do Sul no Atlântico Sul, intitulados “Will for Peace 2026”, são interpretados em Washington como um aprofundamento da cooperação militar entre os países do BRICS e uma resposta a incidentes como o apresamento de um petroleiro russo pelos EUA.
Leste Asiático e a corrida armamentista impulsionada pela instabilidade global.
No Leste Asiático, as relações entre China e Japão se deterioraram com a proibição chinesa de exportação de bens de “uso dual” e ameaças de interromper o fornecimento de terras raras. Paralelamente, a Coreia do Norte reitera suas capacidades nucleares com o lançamento de mísseis hipersônicos, intensificando a instabilidade regional.
Esse ambiente de profunda instabilidade global tem levado a um aumento expressivo nos investimentos em Defesa. O presidente Trump anunciou que os Estados Unidos planejam investir US$ 1,5 trilhão em seu orçamento militar em 2027, um aumento significativo que tende a ampliar a diferença de capacidades militares e estimular uma nova corrida nuclear global.
O desafio estratégico do Brasil em um mundo em crise.
Navegar em meio a essa enorme instabilidade é o desafio que se impõe a todos os países, inclusive ao Brasil. A pergunta crucial é: como reagir a tantos e tão complexos desafios? A primeira resposta passa por colocar este tema, com urgência, no centro do debate nacional, discutindo a Estratégia brasileira, que orienta o emprego do poder militar para a vitória em um eventual conflito armado. Essa é uma tarefa primordialmente atribuída aos militares e ao Ministério da Defesa.
Contudo, isso é insuficiente. Tão ou mais importante é a definição de uma Grande Estratégia nacional. Esta teoria deve coordenar de forma integrada e permanente todos os instrumentos de poder à disposição do país – políticos, econômicos, científico-tecnológicos, psicossociais e militares – em torno dos grandes objetivos nacionais e da segurança dos brasileiros. Trata-se de uma responsabilidade do governo como um todo, que exige também a participação ativa e a cobrança permanente da sociedade brasileira, conforme apontado em análises recentes.