Crítica à Ideologia de Gênero Leva Pesquisadora a Oitiva da PF e Pedido de Censura em Meio a Debate Jurídico

Crítica à Ideologia de Gênero Leva Pesquisadora a Oitiva da PF e Pedido de Censura em Meio a Debate Jurídico

Resumo

Polícia Federal investiga pesquisadora por transfobia após críticas à ideologia de gênero

A pesquisadora Nine Borges, com quase 300 mil seguidores no Instagram, foi formalmente interrogada pela Polícia Federal (PF) em Minas Gerais, em uma oitiva realizada por videoconferência. A ação policial surge após acusações de transfobia relacionadas a postagens da pesquisadora em suas redes sociais. Borges, que reside em Londres e é conhecida por suas críticas à chamada ideologia de gênero, vê sua atuação sob escrutínio.

A investigação policial, que também envolveu solicitações de dados à Meta e ao Google, empresas proprietárias do Instagram e YouTube, respectivamente, foi iniciada a partir de uma denúncia anônima. O Ministério Público em Juiz de Fora (MG) recebeu a acusação e solicitou a remoção do perfil de Nine Borges no Instagram, gerando um debate sobre os limites da liberdade de expressão online.

Esta é a segunda investigação contra a pesquisadora por transfobia em poucos meses. Uma anterior, no Distrito Federal, foi motivada por críticas de Borges à secretária nacional LGBTQIA+, Symmy Larrat. A nova apuração mineira segue um curso independente, com suas próprias peças e diligências, focando em suposta propagação de conteúdo que incitaria ódio e violência contra grupos LGBT.

Conforme apurado, as diligências da PF, incluindo os pedidos de dados às plataformas digitais, tiveram início no final de 2025. No entanto, Nine Borges só foi informada sobre a denúncia e a oitiva recentemente. A equiparação da transfobia ao crime de racismo, decidida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2019, adiciona complexidade ao caso, especialmente devido à dificuldade em distinguir críticas à ideologia de gênero de discriminação real contra pessoas trans.

Debate sobre a distinção entre crítica e incitação ao ódio

A denúncia apresentada ao Ministério Público em Juiz de Fora alega que a página da pesquisadora dissemina conteúdo discriminatório, incitando ódio e violência contra pessoas transgêneras. O documento também cita um episódio em um podcast no YouTube, onde Nine Borges teria criticado o Ministério Público e a Defensoria Pública, afirmando que estariam “contaminados por ideologia”.

Em sua fala no podcast, Borges declarou: “Você conversa com qualquer advogado e ele vai te dizer que o Ministério Público, por exemplo, está muito difícil no Brasil. O Ministério Público, as defensorias públicas… Estão muito corrompidas com wokeísmo, com ideais woke”. Esse comentário, segundo a denúncia, caracterizaria um ataque a essas instituições.

Pesquisadora alega tentativa de silenciamento

Em declarações à Gazeta do Povo, Nine Borges expressou sua visão sobre o caso, afirmando que “a gente está lidando com um grupo que, na impossibilidade de debater de volta pela falta de argumentos, está tentando calar todo mundo”. Ela questiona o papel de um pesquisador caso não lhe seja permitido abordar e criticar temas relevantes.

“Eu sou uma pesquisadora. Uma pesquisadora tem que tocar nos temas, tem que discutir ideias, tem que apresentar teorias, tem que apresentar crítica. Se eu não estou autorizada a fazer isso, a que eu estou autorizada? Para que serve o meu diploma?”, questiona a pesquisadora, ressaltando a importância do debate acadêmico e científico.

Liberdade acadêmica em xeque

Borges argumenta que a situação atual impõe restrições à liberdade de expressão, onde certas teorias são permitidas e outras não. “Está autorizado a gente discutir e falar que o homem branco é mau, que ele nasceu mau, que ele herdou um sistema mau, que ele construiu um sistema mau, que oprime, violenta, discrimina contra outros grupos. Isso está perfeitamente autorizado. Mas fazer uma crítica a essa crítica não está autorizado”, pontua.

A investigação da PF segue com a elaboração de um relatório que será encaminhado ao Ministério Público. Caberá ao MP decidir entre o arquivamento do caso ou o oferecimento de uma denúncia formal contra a pesquisadora, após análise de todos os elementos coletados durante as diligências.

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