Flávio Bolsonaro intensifica ação no STF contra Lula por fala sobre "enforcar traidores"

Flávio Bolsonaro intensifica ação no STF contra Lula por fala sobre “enforcar traidores”

Resumo

Flávio Bolsonaro pede investigação contra Lula no STF após novas falas sobre “enforcar traidores”.

A defesa do pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, reforçou nesta terça-feira (28) uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo os advogados do senador, as declarações de Lula sobre “traidores da pátria” serem “enforcados” colocam em risco a vida de Flávio.

Esta não é a primeira vez que o assunto chega ao STF. No início de junho, Flávio Bolsonaro já havia apresentado uma notícia-crime após Lula, em um evento em Catalão (GO), criticar o senador e citar o enforcamento de Tiradentes. O presidente voltou a fazer declarações semelhantes no último dia 20.

A defesa do senador argumenta que Lula estaria estimulando a violência para obter vantagem eleitoral, naturalizando a ideia de que seus adversários deveriam ser punidos com a morte. A manifestação, classificada como “fato superveniente”, foi encaminhada ao ministro Nunes Marques, relator do caso. Conforme informação divulgada pela defesa de Flávio Bolsonaro, a reiteração das falas do presidente reforça a prática de crimes de ameaça e incitação ao crime.

Estratégia perigosa e risco à democracia

O documento apresentado ao STF descreve a estratégia de Lula como “tão grave quanto perigosa”. A defesa de Flávio Bolsonaro alega que, no atual cenário de crescente violência política, as falas do presidente não colocam em risco apenas a integridade física do senador, mas também a “própria higidez do processo democrático”.

Para os advogados de Flávio, a repetição das declarações, mesmo após a primeira ação judicial, demonstra um “dolo inequívoco” e um padrão de comportamento. Eles rebatem a possibilidade de ser uma mera metáfora histórica ou retórica política, classificando-a como uma “estratégia deliberada de incitação à violência política” às vésperas do período eleitoral.

Potencial de influência e pedido de inquérito

A defesa de Flávio Bolsonaro sustenta que as manifestações do presidente, devido à sua posição de liderança, possuem o potencial de influenciar milhões de cidadãos. Isso, segundo os advogados, criaria um “risco concreto à integridade física do senador”.

Diante disso, a equipe jurídica do senador pediu que o novo fato seja anexado à notícia-crime original. Além disso, solicitam que o STF abra um inquérito para apurar os crimes de incitação (Art. 286 do Código Penal) e ameaça (Art. 147 do Código Penal) por parte do chefe do Executivo.

Relembre as falas de Lula

Durante a convenção do PDT, em 20 de julho, Lula reiterou que, antigamente, “traidor era enforcado”. Sem citar nomes diretamente, ele mencionou que “vários traidores vão aos EUA” para pedir sanções contra o Brasil. “Nós não temos o direito de perder essas eleições. Nós não temos o direito de permitir que o negacionismo, o fascismo, voltem a pensar em governar esse país. Outro dia eu disse, nesse país, antigamente, traidor era enforcado, porque trair a pátria é uma coisa muito grave”, declarou o presidente.

A primeira declaração que motivou a ação ocorreu em 2 de junho, em Catalão (GO). Na ocasião, Lula chamou Flávio Bolsonaro de “covarde”, atribuiu a ele um novo tarifáço dos Estados Unidos e citou pela primeira vez o “enforcamento” para “traidores da pátria”. “São traidores. Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores da pátria, que vão pedir intervenção de um país no nosso país? Pensem, pensem, meditem”, afirmou o petista.

É importante notar que, historicamente, Joaquim Silvério dos Reis foi o delator de Tiradentes, mas quem foi enforcado foi o próprio Tiradentes, e não seu delator.

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