Guerra no Irã e Inflação Disparam: Corte da Selic em Risco e Governo Lula em Alerta Máximo

Guerra no Irã e Inflação Disparam: Corte da Selic em Risco e Governo Lula em Alerta Máximo

Resumo

Guerra no Irã e inflação alta ameaçam corte da Selic desejado pelo governo Lula, gerando incerteza econômica

A eclosão do conflito no Oriente Médio e a inflação mais alta do que o previsto colocaram em xeque os planos do Banco Central (BC) de reduzir a taxa básica de juros, a Selic, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 17 e 18 de março. Uma queda na Selic é uma prioridade para a gestão do presidente Lula, especialmente em um ano eleitoral, mas os eventos recentes trouxeram um novo e preocupante cenário.

O barril de petróleo tipo Brent ultrapassou os US$ 80 e o Estreito de Ormuz, rota vital para mais de 20% do petróleo mundial, está sob ameaça. Esse choque externo pressiona o câmbio e a inflação simultaneamente. A discussão agora não é sobre a magnitude do corte, mas sim sobre a segurança de realizá-lo neste momento.

Conforme informação divulgada por analistas de mercado, o cenário base para a Selic antes do conflito era de uma queda de 0,50 ponto percentual, levando a taxa para 14,5%. No entanto, o conflito no Oriente Médio reconfigurou as probabilidades, aumentando a cautela dos agentes econômicos e do próprio Banco Central.

Mercado reavalia corte da Selic: de 0,50 para 0,25 ponto percentual

Os contratos de opções do Copom negociados na bolsa de valores brasileira refletem essa mudança. A probabilidade de um corte de 0,50 ponto percentual caiu de 83% antes do conflito para 74% após seu início. Em contrapartida, as chances de um corte menor, de 0,25 ponto percentual, subiram de 14% para 23% no mesmo período.

Flávio Serrano, economista-chefe do banco BMG, avalia que o Banco Central pode iniciar o ciclo de flexibilização de maneira “mais comedida”, com um corte de apenas 0,25 ponto percentual. Ele destaca que a elevação da incerteza e da volatilidade nos preços, especialmente do petróleo, exige maior cuidado por parte dos membros do Copom.

O principal risco é que a turbulência no câmbio e nos preços de energia dificulte o cumprimento da meta de inflação de 3%, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. Manter a inflação sob controle é crucial para a estabilidade econômica.

Impacto direto no bolso: petróleo, câmbio e inflação em alta

O Copom, segundo analistas consultados pela Gazeta do Povo, não reage diretamente a conflitos, mas sim aos seus efeitos na inflação. O impacto do petróleo é o principal fator de risco. Um aumento de 10% no preço do Brent pode resultar em um impacto de aproximadamente 0,25 ponto percentual no IPCA, o índice oficial de inflação.

Eduardo Amorim, especialista da Manchester Investimentos, descreve um cenário de “dupla pressão”. A alta do petróleo encarece combustíveis e logística, afetando o poder de compra das famílias e as margens das empresas. Essa instabilidade também afasta investidores estrangeiros, pressionando o dólar.

O cenário doméstico já apresentava fragilidades. O IPCA-15 de fevereiro, que subiu 0,84%, veio acima das expectativas, elevando a inflação acumulada em 12 meses para 4,10%. O que mais preocupou foram os núcleos da inflação, que mostraram aceleração, indicando uma inflação mais persistente.

Tesouro Nacional alerta para riscos e o debate sobre a Selic se intensifica

Rogério Ceron, secretário do Tesouro Nacional, declarou que o atual patamar do petróleo é “suportável”, mas alertou que uma escalada acima de US$ 100 pode impactar severamente a economia brasileira. Ele ressaltou que um aumento mais acentuado poderia “antecipar o fim do ciclo de queda de juros”.

Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, aponta para o risco de uma “estagflação estrutural”. Se a inflação superar 3,5%, o BC pode ser forçado a interromper os cortes na Selic e até mesmo a elevar os juros para conter a fuga de capitais e evitar uma espiral inflacionária. Juros mais altos em um momento de renda em queda podem reduzir ainda mais o ritmo da economia, aumentando o risco de recessão.

O mercado, diante desse cenário, deixou de projetar um alívio rápido para antecipar um processo de desinflação lento, com a Selic elevada por mais tempo do que o planejado. A guerra no Irã e a inflação persistente são os principais vilões nesse processo, exigindo **atenção redobrada do Banco Central e do governo Lula**.

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