Oposição Dribla Alcolumbre e Avança em Investigação do Banco Master e Toffoli Usando Comissões Existentes

Oposição Dribla Alcolumbre e Avança em Investigação do Banco Master e Toffoli Usando Comissões Existentes

Resumo

Oposição avança na investigação do Banco Master e de conexões com Dias Toffoli, driblando resistência de Alcolumbre e sigilo de dados

Mesmo com a resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em instalar uma CPI exclusiva para investigar o Banco Master, parlamentares da oposição encontraram um caminho alternativo. Eles passaram a utilizar comissões já em funcionamento, como a CPMI do INSS e a CPI do Crime Organizado, para manter o caso sob escrutínio e pressionar o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A estratégia visa ampliar a apuração e expor possíveis irregularidades, mesmo diante do regime de sigilo que recai sobre o material apreendido pela Polícia Federal. Esses arquivos, que incluem dados de celulares e computadores de figuras-chave como o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, são estimados em dezenas de terabytes.

Apesar das dificuldades impostas pelo sigilo, que pode limitar a publicidade das informações, a oposição aposta que o conteúdo dos arquivos orientará novas ações, como requerimentos, convocações e pedidos de quebra de sigilo. Conforme informações divulgadas, a atuação parlamentar busca garantir transparência e aprofundar a investigação sobre o Banco Master e suas conexões.

Acesso a Dados Sigilosos é Ponto Crítico na Investigação do Banco Master

O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), criticou a situação do acesso aos arquivos. Ele ressaltou a importância de ter acesso efetivo ao conteúdo para cumprir o papel constitucional de fiscalização. “Não faz sentido o material estar aqui, dentro da CPMI, e nós não termos acesso. Se o Supremo determinou o compartilhamento, precisamos cumprir o nosso papel de investigação”, declarou Viana.

Os arquivos foram recebidos pela CPMI do INSS após uma decisão do ministro André Mendonça, do STF, que retirou a custódia do material da presidência do Senado. Anteriormente, o ministro Dias Toffoli havia determinado que o material ficasse sob essa custódia. Agora, a comissão estuda um mecanismo interno de acesso restrito, o que pode, na prática, limitar a divulgação pública das informações devido às regras de sigilo judicial.

Integrantes da comissão admitem que o sigilo reduz o impacto político imediato, mas acreditam que os dados poderão embasar novas ações. O deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), relator da CPMI, defendeu que “os dados ofereçam elementos robustos para o que a CPMI está buscando”.

CPI do Crime Organizado Volta os Holofotes para o Entorno de Toffoli

Uma parte significativa da ofensiva parlamentar em torno do Banco Master concentra-se em ampliar o escrutínio sobre o ministro Dias Toffoli. Mesmo tendo deixado a relatoria do caso no STF, seu nome permanece central no debate. A CPI do Crime Organizado aprovou a convocação dos irmãos de Toffoli, apontados como sócios da empresa Maridt Participações.

A CPI também determinou a quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático da Maridt, além de solicitar informações ao Coaf sobre movimentações financeiras entre 2022 e 2026. A Maridt teve participação no empreendimento resort Tayayá, que envolveu um fundo ligado a investigados no caso Master.

A empresa da família de Toffoli vendeu sua participação no resort em 2021 e, posteriormente, em fevereiro de 2025. O relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira (MDB-SE), sustenta que há indícios que justificam o aprofundamento da apuração para verificar eventual conflito de interesses e possíveis conexões financeiras. “Isso está em total sintonia com os trabalhos da CPI, que têm como escopo o uso de bancos, escritórios e fintechs para lavar dinheiro do crime organizado e apurar a infiltração do crime no poder público”, argumentou Vieira.

Depoimento de Daniel Vorcaro na CAE é Outra Frente de Investigação

Em outra frente, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado agendou para 3 de março o depoimento presencial de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Vorcaro cumpre prisão domiciliar no âmbito da Operação Compliance Zero. Sua presença na comissão é facultativa, por decisão do ministro André Mendonça, mas a defesa sinalizou disposição para o depoimento em Brasília.

O presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), destacou a importância do depoimento para a investigação. Inicialmente previsto para antes, o depoimento foi adiado por questões logísticas. A CAE também criou um grupo de trabalho para acompanhar as investigações sobre falhas no Sistema Financeiro Nacional e possíveis apadrinhamentos políticos ligados ao caso Master.

O senador Marcos Rogério (PL-RO) comentou que “o escândalo do Banco Master envolve altas figuras da República e está criando um clima de constrangimento em Poderes e lideranças políticas”. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) criticou a postura de Alcolumbre e defendeu a abertura de uma CPI exclusiva, classificando a atual abordagem como “segredismo”.

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