Senador Girão Cobra Alcolumbre por Omissão no Caso Master e Exige CPI para Investigar "Maior Fraude Financeira da História"

Senador Girão Cobra Alcolumbre por Omissão no Caso Master e Exige CPI para Investigar “Maior Fraude Financeira da História”

Resumo

Senador Eduardo Girão expõe passividade de Davi Alcolumbre em escândalo financeiro e demanda investigação urgente

O retorno dos trabalhos legislativos no Senado Federal foi marcado por um pronunciamento contundente do senador Eduardo Girão (Novo-CE). Em um discurso direto, Girão se dirigiu ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), para responsabilizá-lo pela aparente inércia do Congresso diante do caso Banco Master. O senador exigiu a instalação imediata de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI), seja exclusiva do Senado ou conjunta com a Câmara, para investigar o que ele descreve como “a maior fraude financeira da história”.

Girão listou uma série de fatos graves, transcendendo a disputa político-ideológica, e ressaltou o anseio da sociedade por uma resposta que apenas o Poder Legislativo pode oferecer. Ele também solicitou a abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) supostamente envolvidos no escândalo, mencionando Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. “A CPI é inegociável. Temos há três meses o apoio expressivo de 51 dos 81 colegas e não vamos aceitar atalhos”, declarou o senador.

Em um dos momentos mais tensos de sua fala, Eduardo Girão afirmou que Davi Alcolumbre seria “talvez o maior responsável” pela desmoralização do Senado. Segundo o senador, o prazo para mudanças já se esgotou e o presidente da Casa não teria mais como esconder os escândalos. Girão apelou para que Alcolumbre não prejudique o Brasil, enfatizando que a paz da indiferença é o oposto da paz verdadeira, que exige ação e justiça. Ele defendeu que o Senado seja respeitado e não sirva a interesses particulares.

Davi Alcolumbre ouviu atentamente o pronunciamento de Girão, sem reagir, inclusive quando foi cobrado como representante do Amapá, estado diretamente afetado pelo escândalo, com a perda de R$ 400 milhões do fundo de previdência dos servidores estaduais aplicados no banco. “O senhor deveria ser o primeiro a querer investigar tudo”, disse Girão. Ao jornal Gazeta do Povo, o senador declarou ter cumprido “o dever de senador” com sua fala.

Girão critica recesso e a “República do Segredismo” no Senado

No início de seu discurso, Eduardo Girão descreveu a reabertura do plenário após o recesso parlamentar como o fim de um “longo e tenebroso inverno”. Ele afirmou que nunca viu, em sete anos de mandato, o Senado praticamente fechado durante todo o mês de fevereiro, especialmente em meio a escândalos que clamam por reação imediata. Girão criticou a postura da Casa, que, segundo ele, “fechou para balanço enquanto o país aguardava reação”.

Olhando diretamente para Davi Alcolumbre, Girão relembrou a promessa feita por Alcolumbre ao assumir a Presidência do Senado em 2019, de acabar com a falta de transparência na Casa. Em vez disso, o senador apontou o surgimento da “República do Segredismo”, citando como exemplo o sigilo de 100 anos imposto pelo Senado sobre informações relacionadas às visitas do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “careca do INSS”, aos gabinetes de senadores.

CPI do Banco Master parada há meses e rejeição a acordos

Ao pressionar pela investigação do escândalo financeiro, Girão lembrou que o requerimento para a instalação da CPI está parado há meses na Mesa do Senado, sem qualquer manifestação de Davi Alcolumbre. Ele também rejeitou veementemente movimentos que visam esvaziar a pressão por investigações, como a possibilidade de trocar o engavetamento dos pedidos de CPI pela votação do veto presidencial ao projeto de redução das penas dos condenados em 8 de janeiro. “É outra coisa”, rebateu o senador.

O discurso ganhou um tom eleitoral com o aparte do líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN), que associou os escândalos financeiros aos governos do PT e classificou como “chantagem” a tentativa de condicionar votações à desistência de investigações. Girão respondeu que irá “às últimas consequências” para que a CPI do Senado seja aberta, pois as “barbaridades” relacionadas ao Banco Master precisam ser desvendadas na Casa.

Girão mira governo do Ceará e se posiciona como independente

Em sua fala, Girão mencionou “129 milhões de razões” para analisar contratos firmados com o Banco Master, em alusão ao valor acertado com o escritório de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes. O contrato, no qual Viviane receberia essa quantia para defender o banco, foi revelado pelo jornal O Globo e levanta suspeitas de um possível conflito de interesses. A manifestação de Girão contra a passividade de Alcolumbre ocorre em um momento em que ele decidiu não disputar novo mandato no Senado.

Eduardo Girão é pré-candidato ao governo do Ceará e conta com o apoio de senadores de direita e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), um movimento que levou ao rompimento de um acordo prévio entre o partido dela e o grupo de Ciro Gomes (PSDB) para as eleições de 2026. O discurso reforçou a posição incisiva de Girão, que se apresenta como independente, sem vínculo formal com Jair Bolsonaro (PL), mas com postura crítica à perseguição à direita promovida pela esquerda, governo e Judiciário.

Trajetória empresarial e foco em pautas conservadoras

Luís Eduardo Grangeiro Girão, de 52 anos, construiu uma carreira empresarial de sucesso nas áreas de segurança e hotelaria. Espiritualista, fundou em 2004 a Associação Estação da Luz, voltada para a produção cinematográfica com temas de espiritualidade e causas sociais. Ele ganhou notoriedade pública ao presidir o Fortaleza Esporte Clube em 2018, levando a equipe à Série B. Eleito senador em 2018, seu mandato se estende até fevereiro de 2027.

Sua atuação no Senado foca no combate ao aborto, à corrupção e à legalização de drogas e jogos de azar. Girão foi candidato a prefeito de Fortaleza em 2024, obtendo 14,8 mil votos e ficando em quinto lugar. O senador tem sido um crítico frequente da “blindagem” da Presidência do Senado, afirmando que Alcolumbre evita sessões presenciais para fugir de temas espinhosos para o governo e o Judiciário. Ele considera o comando da Casa uma “tragédia” para a independência do Legislativo, reiterando a “desmoralização” do poder em razão da falta de liderança responsável.

Frequentemente, as investidas verbais e regimentais de Girão para denunciar a omissão do Senado diante de situações críticas e do clamor social são acompanhadas pelos senadores Cleitinho (Republicanos-MG), Rogério Marinho (PL-RN), Magno Malta (PL-ES) e Carlos Portinho (PL-RJ), demonstrando um bloco coeso na busca por investigações e maior transparência no Congresso Nacional.

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