Tagliaferro: Mensagens de Vorcaro e TSE têm o mesmo "modus operandi" de intimidação contra alvos

Tagliaferro: Mensagens de Vorcaro e TSE têm o mesmo “modus operandi” de intimidação contra alvos

Resumo

Ex-integrante do TSE acusa métodos de intimidação e compara com TSE: “O modus operandi é a intimidação”

Eduardo Tagliaferro, que atuou na Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), comparou as táticas de intimidação vistas em mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro com práticas que ele alega ter presenciado na corte eleitoral. Tagliaferro, que atualmente vive na Itália e enfrenta um processo de extradição solicitado pelo Brasil, disse que o “modus operandi” envolve a criação de medo e pressão contra alvos específicos, como políticos, jornalistas e pessoas sob investigação.

Em entrevista à coluna Entrelinhas e ao programa Sem Rodeios, Tagliaferro detalhou suas impressões sobre o funcionamento do poder em Brasília, a relação entre as instituições e o escândalo do Banco Master. Ele também abordou as mudanças na comunicação utilizada por integrantes de grupos investigados e a atuação do delegado Fábio Schor no gabinete do ministro Alexandre de Moraes.

As declarações de Tagliaferro surgem em um momento de repercussão de novas informações sobre o caso Banco Master e levantam questionamentos sobre a transparência e a legalidade de certas ações dentro do sistema judiciário e policial brasileiro. Conforme informações divulgadas, Tagliaferro aponta para um padrão de conduta que ele descreve como similar ao de regimes autoritários, onde o poder se concentra e é utilizado para impor vontades. As declarações foram feitas enquanto ele aguarda o desfecho de seu próprio caso de extradição.

Festa em Londres revela “separação ilusória” entre poderes, diz Tagliaferro

Tagliaferro comentou sobre uma festa privada em Londres, ocorrida em 2024, que reuniu autoridades como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, o Procurador-Geral da República e o diretor-geral da Polícia Federal. Para ele, o episódio demonstra que a suposta separação entre os poderes Judiciário, Legislativo e Executivo é, na prática, inexistente. Ele argumenta que essas autoridades agem unidas por interesses próprios e para manter um estilo de vida luxuoso, transformando-se em “verdadeiros imperadores”.

Delegado no gabinete de Moraes é “extensão” da vontade do ministro, afirma ex-assessor

Questionado sobre a ida do delegado da Polícia Federal Fábio Schor para trabalhar diretamente no gabinete de Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal, Tagliaferro expressou sua visão. Ele relatou ter trabalhado com Schor no passado e afirmou que o delegado sempre cumpriu as determinações de Moraes. Tagliaferro sugere que a presença de Schor no gabinete representa uma “extensão do gabinete dentro da própria Polícia Federal”, atuando para executar as vontades do ministro.

Mensagens com “visualização única” escondem intenções, diz ex-servidor

Tagliaferro observou uma mudança na forma de comunicação utilizada por pessoas envolvidas em práticas que ele considera questionáveis. Ele explicou que, durante seu período no TSE, conversas eram realizadas normalmente pelo WhatsApp, sem o uso de mensagens de “visualização única”. Segundo ele, o uso desse recurso indica uma tentativa de “esconder alguma coisa”, e que, após a divulgação de seu caso, as pessoas passaram a buscar métodos mais difíceis de rastrear, como o envio de imagens com texto e visualização única.

Perícia técnica comprova mensagens, rebate Tagliaferro a Moraes

Sobre a declaração do ministro Alexandre de Moraes de que mensagens atribuídas a ele seriam falsas ou fora de contexto, Tagliaferro, que se considera perito criminal, classificou a nota como “ridícula”. Ele enfatizou que, em uma perícia técnica, com extração de dados e análise de material, os registros não surgem “do nada”. Tagliaferro sustenta que a presença do nome em uma comunicação comprova sua existência e que negar o que está tecnicamente provado é uma estratégia já vista na política brasileira.

Extradição na Itália avança com alegação de perseguição política

Em relação ao seu processo de extradição na Itália, Tagliaferro afirmou que ele está caminhando com tranquilidade. Ele admitiu que houve um impacto emocional inicial, mas que agora se sente mais acostumado com a situação. Tagliaferro acredita que a justiça será feita na Itália, pois existem “provas claras de perseguição política”. Ele pretende apresentar informações sobre as relações e investigações envolvendo Alexandre de Moraes como parte de sua defesa, visando demonstrar o caráter político e a falta de parâmetros legais em decisões tomadas contra ele.

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