Vaticano intervém e remove padre que abrigou centenas de imigrantes ilegais em igrejas na Itália, gerando caos social
A Santa Sé, através do Dicastério para o Clero, anunciou a remoção do padre Massimo Biancalani de suas funções pastorais nas paróquias de Santa Maria Maggiore em Vicofaro e San Niccolò em Ramini, na diocese de Pistoia. A decisão põe fim a uma saga de quase dez anos, marcada pelo acolhimento massivo de imigrantes, que levou ao esvaziamento das igrejas e à privação de serviços religiosos para os fiéis.
A medida, conforme pronunciamento oficial, visa conter uma situação de “acolhimento incontrolável, anárquico e explosivo” e restaurar a assistência pastoral às comunidades. O padre Biancalani, inspirado pela visão do Papa Francisco de uma “Igreja como hospital de campanha”, transformou as paróquias em abrigos para centenas de imigrantes irregulares e requerentes de asilo, criando o que as autoridades e fiéis descrevem como “redutos de irregularidade social”.
A intervenção canônica, iniciada pelos bispos locais e confirmada pelo Vaticano, foi motivada não apenas pela desordem social gerada, mas também pela negligência das funções paroquiais. Fiéis relataram ter que buscar missas e sacramentos em outras comunidades, demonstrando o impacto direto na vida religiosa local. A situação, segundo relatos, culminou em problemas como tráfico de drogas e episódios de violência, culminando na desocupação policial em Vicofaro em 2025.
A “ideologia imigratória” e suas consequências pastorais
Matteo Pomposi, vereador e líder de um comitê local, descreveu a atuação do padre Biancalani como uma “ideia de acolhimento que atropelou tudo o que encontrou pelo caminho”. Ele detalhou que o padre buscava ativamente imigrantes em outras cidades para levá-los às paróquias, gerando incômodo aos moradores e uma espiral de problemas sociais em Vicofaro e Ramini. Dificuldades de integração, tráfico de entorpecentes, um caso de esfaqueamento e outro de estupro foram citados como consequências.
Um relato particularmente chocante envolve uma senhora de 80 anos em Vicofaro, que se viu com um ponto de tráfico de drogas em frente à sua casa e imigrantes invadindo seu jardim. A situação tornou-se incontrolável com mais de 200 pessoas abrigadas, configurando um “perigoso reduto de transtorno social”, conforme descrito. Chegou-se a relatar que imigrantes pagavam por vagas na igreja, que se tornou um acampamento permanente, com a máfia nigeriana assumindo o controle do tráfico local.
Fuga dos fiéis e o esvaziamento das comunidades
O “acolhimento anárquico” de Biancalani também resultou na “fuga dos fiéis”, conforme relatado por Pomposi. O padre, segundo ele, “negligenciou completamente suas funções religiosas e pastorais”. Em Vicofaro, a comunidade se dispersou, com pouquíssimos fiéis comparecendo às missas. Em Ramini, o coral paroquial, orgulho da diocese, foi desfeito, e atividades como crismas e primeiras comunhões foram canceladas, forçando a comunidade a se transferir para a paróquia vizinha de San Pierino.
A situação em Ramini ainda exige tempo para normalização, com o padre Biancalani permanecendo na casa paroquial com dezenas de imigrantes. A possibilidade de intervenção policial para a desocupação não está descartada, repetindo o cenário de Vicofaro. A controvérsia envolveu também um embate político, com partidos como a Lega e Fratelli d’Italia criticando a gestão, enquanto a esquerda local inicialmente apoiou a figura do padre.
Repercussão e futuro do padre
A figura do padre Biancalani já havia ganhado notoriedade em 2018, quando foi convidado a discursar em um encontro sobre direitos humanos em Florença. Agora, ele deve deixar a casa paroquial em Ramini. Resta saber se ele recorrerá ao Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica ou aceitará um cargo no Departamento Missionário da diocese, oferta que já recusara anteriormente. Biancalani declarou que a decisão do Vaticano é um “problema” e que as comunidades que seguiram sua linha pastoral estão em “dificuldade”.
A Igreja, ao intervir, busca sanar as “feridas” deixadas por uma gestão que, segundo relatos, “atropelou tudo o que encontrou em seu caminho”. A decisão final visa restaurar o bem comum e a ordem pastoral, encerrando um capítulo controverso que, para muitos, extrapolou o mandamento evangélico original, tornando-se um “elemento de profunda desobediência eclesiástica e de periculosidade social”. O Vaticano também sinaliza uma reflexão sobre a forma como a “ideia de acolhimento” tem sido conduzida em algumas instâncias da Igreja, por vezes em “desrespeito às regras da boa convivência civil”.