Senadores da Base de Lula Mudam de Posição Sobre Impeachment de Moraes Após Crise no STF e Revelações do Banco Master

Senadores da Base de Lula Mudam de Posição Sobre Impeachment de Moraes Após Crise no STF e Revelações do Banco Master

Resumo

Senadores da Base de Lula Mudam de Posição Sobre Impeachment de Moraes Após Crise no STF e Revelações do Banco Master

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e as recentes revelações sobre as mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, têm provocado uma notável mudança de postura entre senadores da base aliada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O que antes eram defesas abertas ao ministro, agora se transformam em silêncio ou adesão a pedidos de impeachment.

Até este domingo (13), pelo menos cinco senadores que em 2024 defenderam Alexandre de Moraes publicamente afirmaram à Gazeta do Povo que agora preferem não comentar o assunto. Outros dois senadores que compartilhavam a mesma posição em 2024 não responderam aos contatos da reportagem para confirmar se mantêm a mesma opinião.

Em contrapartida, três senadores governistas que antes não se manifestavam sobre o tema passaram a assinar pedidos de impeachment contra o ministro nas últimas semanas. Essa movimentação, que antes era predominantemente da oposição, pode indicar um cálculo eleitoral e a busca por capital político em ano de proximidade com as eleições. As informações são de levantamentos realizados pela Gazeta do Povo com os 81 senadores.

Mudança de Rumo e Novos Aliados no Impeachment

O senador Chico Rodrigues (PSB/RR) declarou publicamente, pelas redes sociais na última terça-feira (8), que assinou um pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes. “Ao ler todas essas denúncias que estão às claras na imprensa, tive a coragem cívica de assinar o impeachment do ministro”, afirmou Rodrigues, referindo-se às revelações sobre as mensagens trocadas com Daniel Vorcaro.

Além de Chico Rodrigues, os senadores Leila Barros (PDT-DF) e Flávio Arns (PSB-PR) também mudaram de posicionamento. Eles desistiram de manter o sigilo sobre suas opiniões e passaram a apoiar abertamente o processo de impeachment. “Acredito que ninguém deve estar acima da lei e que as investigações devem ocorrer de forma transparente e sem interferências, em respeito absoluto à nossa Constituição”, declarou Arns.

Ex-defensores Recuam e Evitam Manifestação

Por outro lado, o levantamento atual da reportagem indica que ao menos cinco senadores, que em 2024 se declaravam contrários ao impeachment de Moraes, agora preferem não se manifestar sobre o assunto. Os parlamentares não detalharam os motivos para essa mudança de postura, mas o cientista político Fernando Schüler aponta para fatores cruciais.

Crise no STF Altera Cálculo Político e Tira Foco da Liberdade de Expressão

Fernando Schüler, professor do Insper, avalia que a crise no STF deixou de se concentrar apenas em debates sobre liberdade de expressão e limites de atuação da Corte. A entrada em cena de questões éticas, como as reveladas nas mensagens entre Moraes e Vorcaro, mudou o patamar da discussão.

“Quando entrou em jogo a relação do ministro com Vorcaro, houve uma mudança de patamar. O problema migrou da questão democrática para a questão ética, porque o tema da corrupção entrou em jogo”, explicou Schüler. Ele ressalta que, enquanto a censura pode ser tolerada por parte do público, a suspeita de corrupção gera uma reação mais crítica.

Proximidade das Eleições e Percepção Pública Influenciam Decisões de Senadores

O cientista político também destaca a proximidade das eleições como um fator determinante para o recuo de alguns senadores. Com a deterioração da percepção pública sobre Alexandre de Moraes, parlamentares que antes o defendiam precisam calcular o impacto eleitoral de manterem a mesma posição.

“O Congresso é muito sensível à opinião pública, e como estamos nos aproximando das eleições, os senadores tendem a migrar de posição ou simplesmente a não se manifestar”, afirmou Schüler. Essa estratégia, segundo ele, pode ser uma forma de “tirar o assunto do discurso eleitoral”, configurando uma “posição estratégica” em vez de uma mudança definitiva de convicção.

Mensagens Revelam Contrato de R$ 131 Milhões e Benefícios de Luxo

Os levantamentos da Gazeta do Povo foram realizados em momentos distintos. O primeiro, em 2024, ocorreu após a divulgação de mensagens que apontavam ações “fora do rito” orquestradas por Moraes e a suspensão do aplicativo X no Brasil. O segundo, iniciado em 2 de setembro, após o levantamento do sigilo das mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro.

Nas mensagens em questão, há informações sobre um contrato de R$ 131 milhões envolvendo o escritório da esposa do ministro, a concessão de benefícios de luxo e pedidos feitos por Vorcaro a Moraes nos dias que antecederam a prisão do empresário em novembro de 2025. Essas revelações intensificaram o debate sobre a atuação do ministro e suas relações pessoais e profissionais.

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