Alexandre de Moraes Abre Novo Inquérito Sigiloso Após Escândalo do Banco Master Envolver Familiares de Ministros do STF

Alexandre de Moraes Abre Novo Inquérito Sigiloso Após Escândalo do Banco Master Envolver Familiares de Ministros do STF

Resumo

Alexandre de Moraes inicia mais um inquérito sigiloso no STF, desta vez para apurar vazamento de dados de familiares de ministros.

O escândalo envolvendo o Banco Master e seus desdobramentos continuam a repercutir, atingindo diretamente as famílias de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Revelações sobre vultosos contratos e sociedades têm gerado forte pressão sobre os magistrados.

Em resposta às exposições midiáticas, o ministro Alexandre de Moraes, respondendo interinamente pela presidência do STF, determinou a abertura de um novo inquérito. A investigação, que corre em sigilo, busca identificar quem teria acessado e repassado informações sigilosas de familiares de ministros à imprensa.

A iniciativa, no entanto, levanta questionamentos sobre a atuação do tribunal e a condução de investigações que envolvem seus próprios membros, repetindo um padrão já observado em casos anteriores. A informação foi divulgada por colunistas de jornais como O Globo, Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo.

Contratos milionários e sociedades sob escrutínio

As investigações sobre o Banco Master trouxeram à tona negócios de grande vulto. O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, firmou um contrato de R$ 129 milhões com a instituição. Paralelamente, negócios envolvendo familiares do ministro Dias Toffoli e um fundo de investimentos ligado a uma corretora investigada também vieram a público.

Essas revelações intensificaram as críticas, inclusive de setores da imprensa que antes apoiavam ações do STF contra o chamado “bolsonarismo”. A situação de Dias Toffoli já era delicada devido a uma carona aérea com o advogado de um sócio do Banco Master, e a sequência de eventos tem sido vista como um desdobramento da gestão do caso.

Repetição de métodos: o inquérito sigiloso de Moraes

Seguindo um padrão que remonta a 2019, quando o então presidente do STF, Dias Toffoli, abriu de ofício o “inquérito das fake news”, Alexandre de Moraes, agora no exercício da presidência, repete a estratégia. Sem provocação formal do Ministério Público, o novo inquérito sigiloso foi instaurado.

Moraes suspeita que dados sigilosos foram obtidos por vazamento, e não por trabalho investigativo. O foco da investigação é apurar se houve acesso indevido a informações na Receita Federal ou no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e seu repasse à imprensa.

Apesar de a condição para inquérito de ofício, segundo o Regimento Interno do STF, exigir que os fatos ocorram na sede do Tribunal, a abertura deste novo inquérito ignora essa exigência, ecoando a justificativa utilizada na abertura do “inquérito das fake news”.

Críticas à “supremocracia” e intimidação de fontes

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) criticou a ação, classificando-a como “abuso de poder escancarado” e uma tentativa de “constranger e ameaçar a Polícia Federal e a Receita”. Segundo ele, a medida visa intimidar, diante da incapacidade de explicar relações com investigados e transações financeiras.

Há o receio de que o novo inquérito possa se voltar contra profissionais da imprensa, buscando forçá-los a revelar suas fontes, o que violaria o sigilo constitucionalmente protegido. Essa postura é comparada à do “inquérito das fake news”, que resultou em censura à revista Crusoé.

A abertura de um inquérito sem a devida solicitação do Ministério Público e com ministros atuando como vítimas, investigadores e julgadores é criticada como um exemplo de “supremocracia”, onde a vontade dos magistrados se sobrepõe à lei e aos procedimentos legais.

O precedente de Eduardo Tagliaferro e a busca por silêncio

O método empregado por Alexandre de Moraes em seu novo inquérito sigiloso é semelhante ao utilizado contra seu ex-assessor, Eduardo Tagliaferro. Tagliaferro, que denunciou supostas ilegalidades no STF e TSE contra críticos do tribunal, tornou-se réu por violação de sigilo funcional.

A estratégia, segundo críticos, é “abater o mensageiro” enquanto as irregularidades e as ligações questionáveis permanecem sob investigação, varridas para debaixo do tapete. O objetivo parece ser silenciar as informações que vieram à luz, em vez de investigar os fatos que as originaram.

A preocupação é que a investigação sobre o vazamento de dados se torne um instrumento para intimidar e controlar a narrativa, desviando o foco das complexas relações financeiras e dos contratos milionários que emergiram no contexto do escândalo do Banco Master.

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