Crise em Ceuta: Premiê da Espanha aponta tráfico humano e cogita mudar lei para acelerar deportações

Crise em Ceuta: Premiê da Espanha aponta tráfico humano e cogita mudar lei para acelerar deportações

Resumo

Premiê espanhol culpa tráfico humano por crise migratória em Ceuta e estuda mudanças legais

O presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, atribuiu nesta sexta-feira (31) a recente crise migratória em Ceuta à ação de grupos criminosos especializados em tráfico humano. A declaração surge após a entrada irregular de milhares de migrantes procedentes do Marrocos no enclave espanhol, localizado no norte da África.

Sánchez classificou o ocorrido como uma “violação da integridade territorial da Espanha” e uma interpretação “oportunista” de uma decisão da Suprema Corte espanhola por parte das redes de tráfico. A corte determinou que migrantes que chegam a nado a Ceuta e Melilla não podem ser sumariamente devolvidos, apenas aqueles que ultrapassam cercas fronteiriças.

Diante deste cenário, o governo espanhol estuda a instalação de boias no quebra-mar que separa Ceuta da cidade marroquina de Castillejos. O objetivo é criar uma barreira física e visual que facilite a repatriação na fronteira, cumprindo a decisão judicial e buscando maior controle migratório. A informação foi divulgada pelo jornal El País.

Mudanças legislativas em estudo para facilitar repatriações

Em meio às acusações de uma política de “portas abertas”, Pedro Sánchez afirmou que o governo não descarta a possibilidade de “modificar alguns aspectos das leis para facilitar a repatriação da forma mais eficaz possível”. Essa medida visa agilizar o processo de retorno de migrantes em situação irregular para seus países de origem.

O diálogo com as autoridades do Marrocos tem sido descrito pelo premiê como “constante, fluido e muito razoável”, em contraste com a crise migratória de 2021, quando cerca de 10 mil imigrantes entraram ilegalmente em Ceuta. A colaboração marroquina é considerada crucial para o gerenciamento da atual situação.

Milhares de migrantes chegam a Ceuta em 24 horas

Imagens chocantes circularam pelo mundo na quinta-feira (30), mostrando milhares de pessoas rompendo cercas e chegando a Ceuta vindas do Marrocos. Dados oficiais indicam que cerca de 60 mil pessoas entraram no enclave espanhol por mar e terra em apenas 24 horas, o que representa aproximadamente 70% da população local. Lamentavelmente, a operação também resultou na localização de pelo menos 43 corpos na água.

O Ministério do Interior da Espanha informou que aproximadamente metade dos migrantes que entraram em Ceuta já retornou ao Marrocos. As autoridades continuam trabalhando para gerenciar o fluxo e garantir a segurança e a ordem no enclave.

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