Lula Pede Votos para Jaques Wagner Investigado no Caso Master e Critica "Baixo Nível" do Senado

Lula Pede Votos para Jaques Wagner Investigado no Caso Master e Critica “Baixo Nível” do Senado

Resumo

Lula defende Jaques Wagner em meio a investigações e critica o Senado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu votos para a reeleição do senador Jaques Wagner (PT-BA) em um evento do PT na Bahia. O pedido ocorreu poucos dias após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ter retirado o sigilo de documentos da Polícia Federal que detalham indícios de que o senador teria recebido vantagens econômicas do grupo Banco Master. Os documentos apontam para uma atuação política em troca desses benefícios.

A manifestação de Lula ocorreu durante a convenção estadual do PT na Bahia, onde ele apresentou Wagner e Rui Costa, ex-ministro-chefe da Casa Civil, como candidatos da chapa governista ao Senado. A legislação eleitoral, no entanto, proíbe esse tipo de pedido de voto antes do dia 16 de agosto. Mesmo assim, o presidente declarou: “Eu preciso de dois votos: neste galego [referindo-se a Jaques Wagner] e neste companheiro aqui [referindo-se a Rui Costa]”, solicitando o apoio dos presentes.

Em sua defesa, Lula exaltou a trajetória de Jaques Wagner, classificando-o como um “governador extraordinário”. Ele também criticou o Senado, afirmando que a Casa está em um “baixo nível muito grande” e que é necessário ter “gente que tenha maturidade política, que tenha competência política”. A declaração foi feita em um contexto de crescente pressão sobre o senador baiano, que deixou a liderança do governo no Senado após as investigações ganharem força.

Detalhes da Investigação da Polícia Federal

Os documentos sigilosos revelados pela PF indicam que Jaques Wagner e Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, trocaram ligações que totalizaram cerca de cinco horas e meia entre novembro de 2023 e maio de 2025. A polícia destacou a preferência por chamadas de voz via WhatsApp e relacionou parte dos contatos a assuntos de interesse do banco. Em uma das conversas, Wagner teria oferecido seu gabinete no Senado como local para uma reunião discreta com dirigentes ligados ao Master.

A investigação aponta que Wagner e pessoas de seu círculo familiar teriam recebido diversas vantagens econômicas. Entre elas, estão a aquisição de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador, por meio de empresas interpostas, e uma transferência de R$ 3,5 milhões para a BN Financeira, ligada à família do senador. Além disso, foram mencionados R$ 66,8 mil em ingressos para shows de Taylor Swift e pelo menos cinco viagens em aeronaves associadas a Augusto Lima ou ao Banco Master.

Suspeitas de Troca de Favores Políticos

Os investigadores apuram se os benefícios recebidos teriam sido uma contrapartida pela atuação de Wagner em pautas consideradas estratégicas para o grupo financeiro. As suspeitas incluem articulações em torno da expansão do crédito consignado, a elevação da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, e negociações para a venda do Banco Master ao BRB. As tratativas sobre o apartamento, segundo a PF, continuaram mesmo após prisões relacionadas ao caso.

Defesa e Posição de Jaques Wagner

Jaques Wagner foi alvo de buscas em 18 de junho e deixou a liderança do governo no Senado seis dias depois. Ele foi intimado a prestar depoimento à PF no início de agosto. O senador tem negado veementemente as acusações, afirmando que não recebeu propina nem atuou para favorecer o Banco Master. Ele também declarou que o apartamento em questão nunca fez parte de seu patrimônio e que moedas estrangeiras apreendidas em endereços ligados a ele possuíam origem lícita. Até o momento, o senador não foi formalmente denunciado pela Justiça.

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