Ex-marqueteiro do PT critica envolvimento de Lula e Janja no Carnaval do Rio, prevendo “tiro pela culatra”
O ex-marqueteiro do PT, João Santana, expressou preocupação com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da primeira-dama Janja da Silva no desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói. Santana avalia que a exposição do casal presidencial no evento carnavalesco pode gerar um “cenário de soma negativa, onde todos saem perdendo”.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o publicitário alertou que o principal risco não seriam as vaias, mas sim a repercussão negativa fora das “bolhas” do evento. Ele destacou a importância de considerar a reação em regiões onde Lula precisa de votos, como o interior de São Paulo e bolsões do Sudeste e Sul, além do eleitorado evangélico.
Santana, que foi responsável pelas campanhas vitoriosas de Lula em 2006 e de Dilma Rousseff em 2010 e 2014, ressaltou a delicadeza da relação entre carnaval e política. Conforme informação divulgada pelo portal UOL, ele pontuou que a tradição mostra políticos e primeiras-damas evitando exposição direta em trios ou como destaques de blocos, buscando o anonimato da multidão.
O perigo da “demolição” de imagem no Carnaval
O ex-marqueteiro enfatizou que o carnaval, em sua essência, presta-se mais à “demolição” do que à construção de imagem para políticos. Ele explicou que grandes espetáculos tendem a levar a uma catarse coletiva, podendo ser de glorificação ou rebeldia, e que a tentativa de controle excessivo pode fazer com que o “tiro saia pela culatra”.
Santana reconheceu que a iniciativa da escola de Niterói, com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, pode ter sido espontânea inicialmente. Contudo, ele argumenta que a situação mudou quando o presidente e a primeira-dama se aproximaram perigosamente do evento, transformando-o em um palco político.
Expectativa e recomendações do Planalto
A expectativa é que Janja seja o destaque de um dos carros alegóricos, enquanto Lula assistirá ao desfile de um camarote da Prefeitura do Rio. Paralelamente, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República divulgou recomendações para integrantes do governo durante o Carnaval.
As orientações incluem a proibição de receber diárias e passagens, a recusa de convites de pessoas jurídicas com fins lucrativos que configurem conflito de interesses e a evitação de manifestações que possam ser interpretadas como propaganda eleitoral antecipada. A oposição chegou a acionar a Justiça Federal e o TSE contra o desfile em homenagem a Lula, mas as ações foram rejeitadas.
Santana relembra o equilíbrio delicado entre política e folia
João Santana relembrou que a relação entre carnaval e política sempre foi um “jogo de equilíbrio delicado”. Ele citou como exemplo o Carnaval baiano, onde poucas figuras públicas se arriscam a aparecer de forma proeminente, preferindo se resguardar na multidão.
A análise de Santana sugere que a participação direta de Lula e Janja pode alienar eleitores em regiões cruciais e não trazer ganhos significativos em outras, como o Nordeste. A estratégia, segundo ele, corre o risco de **fortalecer a oposição e prejudicar a imagem do governo** em um momento sensível.
O impacto fora das “bolhas” e o eleitorado
O ex-marqueteiro detalhou que a repercussão negativa se daria fora dos círculos de apoio ao governo, atingindo áreas onde o presidente precisa reconquistar ou manter eleitores. A imagem de Lula como “operário do Brasil”, associada a um evento de grande visibilidade como o Carnaval, pode ser vista de forma diferente por segmentos da sociedade.
“Imagine qual será a reação no interior de São Paulo e em outros bolsões do Sudeste e do Sul, onde Lula precisa desesperadamente de voto. Imagine no meio evangélico”, questionou Santana, reforçando o potencial de **”tiro pela culatra”** da iniciativa. A mensagem é clara: a aposta em um evento festivo pode ter custos políticos inesperados.