Empresa de Santa Catarina Inova com Linha de Montagem Automatizada para Chalés Modulares
O setor da construção civil brasileiro, um dos pilares do PIB nacional, está passando por uma transformação rumo à industrialização. Em Jaguaruna, no sul de Santa Catarina, o Grupo Pacheco, através de sua unidade 321 Modular, está implementando uma linha de montagem que promete reduzir gargalos históricos como a falta de mão de obra e o desperdício de materiais.
A nova fábrica, com previsão de operação até o final do primeiro semestre de 2026, utiliza um sistema inovador que combina maquinário alemão adaptado e braços robóticos chineses. O objetivo é replicar a eficiência da indústria automobilística, transformando o canteiro de obras em uma linha de produção controlada e otimizada.
Esta iniciativa representa um passo significativo na modernização do setor, buscando maior precisão e escala na produção de construções. A empresa visa atender a uma demanda crescente por soluções habitacionais mais rápidas e eficientes. Conforme informações divulgadas pelo Grupo Pacheco, a meta é entregar 10 mil unidades de chalés modulares ao ano até 2030.
Industrialização e Tecnologia Alemã na Construção Modular
A 321 Modular, braço de construção industrializada do Grupo Pacheco, fundado em 1985, está na vanguarda dessa revolução. A escolha por um mix tecnológico que inclui maquinário alemão e robótica chinesa foi resultado de um estudo aprofundado em outros países. “Fomos a vários países ver o equipamento em operação. Como o maquinário alemão não atendia 100% das nossas necessidades, desenvolvemos adaptações e automações próprias internamente, além de integrarmos braços robóticos, que adquirimos da China”, explica o diretor-geral do Grupo Pacheco, Samuel Pacheco.
Expansão Nacional e Metas Ambiciosas para o Mercado Modular
O projeto marca a transição de uma empresa familiar de beneficiamento de madeira para uma construtech com ambição nacional. Atualmente concentrada em Santa Catarina, com matriz em Jaguaruna e unidade em Palhoça, a empresa planeja expandir suas operações. Até março, novas franquias serão inauguradas em Ribeirão Preto (SP), Goiânia (GO) e Blumenau (SC).
“Todos os franqueados estiveram na nossa sede para quatro dias de treinamento intensivo. Passamos por todas as áreas: do marketing e finanças à gestão de obra e montagem prática. Queremos que o franqueado tenha sucesso na ponta para que o negócio seja um case de escala”, detalha Samuel Pacheco. O plano de negócios é ambicioso, com a meta de atingir a marca de 10 mil unidades entregues por ano até 2030.
O Futuro da Construção é Modular: Precisão e Eficiência na Fábrica
Samuel Pacheco destaca que o mercado modular ainda é um “oceano azul”, representando menos de 1,5% do PIB da construção civil brasileira. “A indústria tem que se modernizar para acompanhar o mercado. O que custa caro e gera retrabalho é o canteiro de obras. Ao trazer 95% da construção para dentro da fábrica, ganhamos precisão e escala”, afirma.
A proposta da empresa é transferir a complexidade do canteiro de obras para um ambiente fabril controlado. O modelo permite que os chalés modulares saiam da fábrica com cerca de 95% da estrutura concluída, incluindo revestimentos de banheiro, instalações hidráulicas e pré-instalação elétrica. Essa abordagem garante que os processos não sejam interrompidos por fatores climáticos, otimizando o tempo de produção.
Construção Modular: Sustentabilidade e Economia Circular em Foco
O processo produtivo é verticalizado e utiliza pinus de reflorestamento, tratado em autoclave para garantir durabilidade. Segundo Samuel Pacheco, a madeira é uma matéria-prima sustentável, renovável e que captura carbono da atmosfera. “Além disso, não há nada que substitua o aconchego, o conforto térmico e acústico da madeira”, pontua.
Em linha com a economia circular, as sobras de madeira são processadas pela unidade Clean Pellets, transformando resíduos em combustível para caldeiras industriais. Embora o foco atual seja o mercado de alto padrão e investidores de temporada, a empresa busca normatizar seus processos para acessar linhas de financiamento habitacional, visando atender ao déficit habitacional popular do país.
O sistema construtivo de chalés modulares já é aplicado em empreendimentos turísticos em diversas cidades de Santa Catarina, como Urubici e São Joaquim. A montagem final no terreno do cliente, que em casas convencionais leva meses, pode ser concluída em 1,5 a 4 dias, e em modelos menores, como chalés, em apenas 12 horas de serviço.