Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, reconheceu nesta segunda-feira (23) a importância do Supremo Tribunal Federal (STF) na “preservação da democracia” brasileira. Em entrevista, Boulos ressaltou que, apesar das ações positivas da Corte, nenhuma instituição deve ser considerada infalível.
A declaração surge em um contexto de debates sobre o papel do Judiciário na política nacional. Boulos, filiado ao PSOL, trouxe sua perspectiva sobre a atuação do STF, ponderando que, mesmo em decisões cruciais, a vigilância sobre o poder é um exercício democrático fundamental.
O ministro participou do programa “Alô Alô Brasil”, da Rádio Nacional, apresentado pelo jornalista José Luiz Datena. A entrevista marcou a estreia de Datena na rádio estatal e, de forma descontraída, Boulos foi o convidado especial, demonstrando a proximidade entre os dois.
Em um dos momentos da conversa, o jornalista José Luiz Datena relembrou um episódio em que Boulos expressou o desejo de ter realizado uma ação semelhante à de Datena contra um rival político. Boulos, em tom de brincadeira, comentou que a atitude de Datena, que envolveu uma “cadeirada” em um influenciador, teria “lavado a alma do povo brasileiro”.
Boulos sobre decisão do STF e a infalibilidade das instituições
O ministro Guilherme Boulos, em entrevista, destacou a atuação do STF em momentos cruciais para a democracia. Ele mencionou especificamente uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, conhecida como “Xandão”, referindo-se às sanções Magnitsky. Boulos afirmou que essa ação demonstrou coragem, mas fez uma ressalva importante.
“Isso não quer dizer que o Supremo, ou qualquer outra instituição, esteja acima do bem e do mal”, declarou Boulos, enfatizando que a vigilância democrática é um processo contínuo e necessário para a saúde do país. A fala sugere que, embora reconheça o papel do STF, o ministro defende que a Corte também está sujeita a escrutínio.
Datena e Boulos: Amizade e episódios marcantes
A entrevista na Rádio Nacional também foi marcada por um tom pessoal. José Luiz Datena, ao apresentar seu programa, ressaltou a amizade com Boulos, definindo-o como seu “amigo mais próximo” no meio político. Essa relação de proximidade permitiu um diálogo mais informal e revelador.
Um dos pontos altos da conversa foi quando Boulos fez referência a um episódio envolvendo Datena e um influenciador. O ministro brincou que gostaria de ter tido a iniciativa de Datena, que deu uma “cadeirada” em um rival político. Boulos descreveu o ato como algo que “lavou a alma do povo brasileiro”, arrancando risadas e um certo constrangimento do apresentador.
Soberania como tom de campanha para 2026
Para além das questões institucionais e pessoais, Guilherme Boulos também sinalizou uma estratégia política para as próximas eleições. O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) sugeriu que o discurso de soberania nacional deve ser um pilar na campanha de Lula em 2026.
Essa estratégia se alinha com a mudança de slogan do governo federal, que em agosto de 2025 trocou “união e reconstrução” por “do lado do povo brasileiro”. A ênfase na soberania e no apoio popular pode ser um caminho para consolidar a base de apoio e atrair novos eleitores.