Por que Caiado, Zema e Renan Santos Não Empolgam a Direita em 2026? A Sombra de Bolsonaro e a Falta de Projeção Nacional

Por que Caiado, Zema e Renan Santos Não Empolgam a Direita em 2026? A Sombra de Bolsonaro e a Falta de Projeção Nacional

Resumo

Por que Caiado, Zema e Renan Santos ainda não decolam entre eleitores de direita para 2026?

Apesar de serem vistos como potenciais nomes da direita para a disputa presidencial de 2026, Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) enfrentam um desafio: ainda não conseguiram empolgar os eleitores. As pesquisas de intenção de voto refletem essa dificuldade, mostrando que, por ora, eles não repetem a projeção política conquistada nos últimos anos.

A Gazeta do Povo consultou analistas políticos para entender os motivos por trás desse cenário. A análise indica que a forte liderança de Jair Bolsonaro no campo conservador e a necessidade de construir uma identidade nacional própria são fatores cruciais.

As sondagens recentes, como a do instituto Real Time Big Data, divulgada em 21 de julho, mostram Lula (PT) na liderança no primeiro turno. Renan Santos e Ronaldo Caiado aparecem tecnicamente empatados com 9% e 7%, respectivamente, enquanto Romeu Zema registra apenas 2%. Conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.

A Sombra de Bolsonaro e a Conexão com o Eleitorado

Alexandre Manoel, economista da Global Intelligence and Analytics, aponta que o principal obstáculo para Zema, Caiado e Renan Santos é a **força da liderança política de Jair Bolsonaro**. Para Manoel, Bolsonaro consolidou uma relação com o eleitorado que vai além de propostas de governo, englobando uma forte identificação simbólica.

Um pilar dessa conexão é a **identificação com o segmento evangélico**, que representa 26,9% da população brasileira com 10 anos ou mais, segundo o Censo Demográfico de 2022. Bolsonaro foi pioneiro em construir essa ligação política e simbólica, conferindo-lhe uma vantagem difícil de ser reproduzida.

Além disso, a imagem de Bolsonaro associada ao **enfrentamento ao establishment político** e sua percepção como alvo de perseguição política e judicial fortalecem sua base. Manoel ressalta que, embora boa gestão e experiência administrativa sejam importantes para o eleitor moderado, esses atributos, por si sós, não parecem suficientes para substituir a liderança construída por Bolsonaro junto ao núcleo fiel da direita.

O desafio para Zema, Caiado e Renan Santos, segundo Manoel, é **construir uma identidade própria sem romper com a base conservadora**, que continua vendo Bolsonaro como sua principal referência política.

Prestígio Político Versus Construção Nacional

Juan Carlos Arruda, diretor-geral do Ranking dos Políticos, avalia que, embora Zema, Caiado e Renan Santos possuam atributos expressivos, a disputa presidencial exige mais do que boa reputação ou influência política. Zema é reconhecido como gestor eficiente em Minas Gerais, Caiado tem experiência política e administrativa, e Renan Santos ganhou espaço no debate público.

Arruda destaca a diferença entre ser bem avaliado em um estado, liderar um movimento ou ter influência no debate político, e **conseguir construir uma candidatura nacional**. Isso demanda tempo, presença em todo o país, alianças e uma narrativa capaz de dialogar com diversos segmentos do eleitorado. Conforme apurado pela Gazeta do Povo.

O momento atual, com a direita ainda gravitando em torno de Bolsonaro, dificulta a ocupação de um espaço próprio pelos pré-candidatos. Arruda acredita que somente quando o cenário eleitoral estiver mais definido será possível medir quem conseguirá transformar prestígio político em intenção de voto.

Falta de Projeção Nacional e Desconhecimento

Paulo Kramer, cientista político, aponta o **desconhecimento nacional** como outro fator crucial. Ele reforça que Bolsonaro permanece como a principal referência do conservadorismo brasileiro, enquanto Zema e Caiado ainda lutam por projeção e conhecimento em âmbito nacional.

Kramer observa que a imagem positiva da gestão de Zema em Minas Gerais convive com problemas históricos em regiões pobres do estado, o que limita sua expansão política. No caso de Caiado, sua longa trajetória no Congresso Nacional, instituição com pouca visibilidade para o eleitor comum, também é um ponto a considerar.

O peso demográfico relativamente pequeno de Goiás no cenário nacional, apesar de sua relevância econômica pelo agronegócio, também é um fator limitante para Caiado. Kramer sugere que o governador goiano deveria ter investido mais cedo na projeção nacional de sua imagem, mas reconhece que isso poderia gerar acusações de descuidar dos problemas de Goiás. Conforme relatado pela Gazeta do Povo.

Vale lembrar que Ronaldo Caiado foi escolhido pelo PSD para disputar a Presidência em 2026, após a desistência de Ratinho Junior, que havia sido o nome inicialmente cogitado. A mudança surpreendeu, dado o esforço de Ratinho Junior para ganhar projeção nacional ao longo de 2025.

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