Deputado Carlos Jordy acusa Davi Alcolumbre de manobra para impedir avanço da CPMI do Banco Master.
O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) divulgou um vídeo nesta segunda-feira (9) alegando que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), estaria tentando **negociar a não instalação da CPMI do Banco Master**. Segundo Jordy, Alcolumbre condicionaria a análise do requerimento para a criação da comissão investigativa à **derrubada do veto ao projeto de lei da dosimetria**, uma legislação que pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A declaração surge em um momento de tensão política, com o requerimento para a CPMI do Banco Master já protocolado. Conforme o regimento interno do Congresso Nacional, o pedido deveria ser incluído na pauta da próxima sessão conjunta. No entanto, Jordy afirma que Alcolumbre estaria usando sua influência para adiar essa decisão, propondo uma troca que, segundo ele, desvia o foco da investigação principal.
O parlamentar reforça que a **CPMI do Banco Master é inegociável** e anunciou que pretende acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para obrigar Alcolumbre a pautar o requerimento. A situação expõe as complexas articulações políticas que envolvem investigações sobre o setor financeiro e decisões legislativas de grande impacto.
Alcolumbre é acusado de usar veto para jogo político.
Carlos Jordy fez um apelo para que a oposição não assine um pedido de CPI apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-RS). A diferença crucial, segundo Jordy, é que a CPI proposta por Vieira tem um escopo mais restrito, focando apenas nas relações entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e ministros do STF. Isso criaria uma espécie de **imunidade para políticos e outras figuras públicas** nas investigações.
Diferentemente da CPMI, que tem tramitação mais ágil, o presidente do Senado possui maior autonomia para decidir quando uma CPI será pautada. Essa margem de manobra é o que, segundo Jordy, Alcolumbre estaria utilizando para articular seu suposto acordo político, buscando **benefícios eleitorais e jurídicos** para aliados.
Projeto da dosimetria e o possível benefício para Bolsonaro.
O projeto de lei da dosimetria, mencionado por Jordy, foi **vetado integralmente pelo presidente Lula (PT)**. A legislação, se aprovada sem vetos, poderia reduzir significativamente a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro. Atualmente, a pena de Bolsonaro é de 27 anos e três meses. Com a aplicação da lei da dosimetria, a pena poderia cair para 4 anos e dois meses.
Além de Bolsonaro, a lei também traria benefícios para outros indivíduos condenados por crimes como **golpe de estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito**. A possibilidade de derrubar o veto presidencial sobre este projeto é vista por muitos como um movimento estratégico para garantir a liberdade de figuras políticas proeminentes.
Investigação do Banco Master e o envolvimento de Alcolumbre.
A ligação entre Davi Alcolumbre e o Banco Master veio à tona após a Polícia Federal (PF) extrair dados do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. Os contatos do presidente do Senado estavam entre as informações coletadas. A CPMI do Banco Master visa investigar **possíveis irregularidades e conexões** entre a instituição financeira e figuras públicas, incluindo o próprio Alcolumbre.
A Gazeta do Povo informou que entrou em contato com Davi Alcolumbre para obter uma manifestação sobre as acusações, mas o espaço para resposta permanece aberto. A polêmica levanta questões importantes sobre a **transparência, a independência das investigações** e o papel do Congresso Nacional na fiscalização do poder.