Ibaneis Rocha se esquiva de explicar operações do BRB e Banco Master no Senado
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), optou por não comparecer a uma audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. O convite visava esclarecimentos sobre as operações envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, um tema que tem gerado investigações e preocupações.
Em sua resposta, Ibaneis declarou que não possui conhecimento técnico sobre o sistema financeiro e que não participou das operações em questão. Essa justificativa abre espaço para que o foco das investigações se volte para o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, e outros envolvidos nas transações.
A recusa do governador ocorre em um momento delicado, com a Polícia Federal apurando a compra de R$ 12,2 bilhões em cédulas de crédito sem valor real pelo BRB. O prejuízo causado ao banco estatal pelo envolvimento com o Banco Master já levou a medidas de socorro aprovadas pela Câmara Legislativa do DF.
Investigações em Andamento e Conexões Suspeitas
A Polícia Federal investiga a compra, pelo BRB, de R$ 12,2 bilhões em cédulas de crédito que não possuíam valor real, um negócio que teria gerado um **prejuízo significativo** para a estatal. O envolvimento do BRB com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, tem sido um ponto central nas apurações.
O nome de Ibaneis Rocha foi encontrado na lista de contatos do celular de Daniel Vorcaro, o que adiciona uma camada de complexidade às investigações. A lista também inclui contatos do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Tanto Alcolumbre quanto Motta têm demonstrado resistência em pautar requerimentos para a instauração de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e Comissões Parlamentares Mistas de Inquérito (CPMIs) para investigar as atividades do Banco Master, o que tem gerado críticas e ações judiciais.
Resistência na Câmara Legislativa e Acionamento do STF
A resistência em pautar investigações sobre o Banco Master levou o deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) a acionar o Supremo Tribunal Federal (STF). Rollemberg pediu que Hugo Motta fosse **obrigado a pautar a CPI do Master**.
No entanto, o caso foi sorteado para o ministro Dias Toffoli, que devolveu o inquérito, alegando suspeitas de envolvimento com Daniel Vorcaro. A relatoria passou então para Cristiano Zanin, ex-advogado do presidente Lula, que negou o pedido de Rollemberg, argumentando falta de provas de omissão por parte do presidente da Câmara.
Medidas de Socorro e Futuro do BRB
Diante do prejuízo causado pelas operações com o Banco Master, deputados distritais aprovaram medidas de socorro para o BRB. Entre elas, estão o uso de imóveis públicos em investimentos, aportes diretos do Executivo e a contratação de um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A recusa de Ibaneis Rocha em prestar esclarecimentos no Senado, sob a alegação de falta de conhecimento técnico, levanta questões sobre a transparência e a responsabilidade na gestão do BRB. O caso segue em desenvolvimento, com a expectativa de que as investigações aprofundem a apuração das operações e dos envolvidos.