Irmão de Alexandre de Moraes, Leonardo é escritor de esquerda, dono de cartório e defende o que chama de "salvação da democracia"

Irmão de Alexandre de Moraes, Leonardo é escritor de esquerda, dono de cartório e defende o que chama de “salvação da democracia”

Resumo

Irmão de Alexandre de Moraes, Leonardo de Moraes, é advogado, escritor de esquerda e dono de cartório em Santos

Leonardo de Moraes, irmão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, é um personagem multifacetado. Advogado, tabelião, professor de Direitos Humanos, escritor, artista plástico e roteirista, ele se define como um “recruta tardio” da democracia, engajado no combate ao que denomina de “ciclo de retorno do pensamento de ultradireita”.

Em suas recentes entrevistas, Leonardo tem falado abertamente sobre seu romance “Tia Beth”, lançado em 2023, que tece paralelos entre o regime militar e os riscos autoritários que, em sua visão, o Brasil pós-Bolsonaro enfrenta. O livro aborda temas como a negação da ditadura, o endeusamento de torturadores e a fragilidade das instituições frente ao discurso conservador.

Essas discussões sobre a obra literária frequentemente descambam para revelações sobre a família Moraes e a trajetória profissional de ambos os irmãos. Leonardo, que em 2017 assumiu a titularidade do 1º Cartório de Notas de Santos, mesmo ano em que seu irmão foi empossado no STF, utiliza a estabilidade financeira proporcionada pelo cargo para financiar suas atividades artísticas e políticas. As informações são de reportagem da Gazeta do Povo.

Trajetória profissional e laços familiares

A carreira de Leonardo de Moraes revela uma notável influência de seu irmão mais velho. Entre 2003 e 2004, Leonardo atuou como assessor jurídico na Fundação CASA (antiga Febem/SP), período em que Alexandre de Moraes ocupava o cargo de Secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania de São Paulo. Posteriormente, de 2004 a 2006, Leonardo foi assessor jurídico nos gabinetes do governador Geraldo Alckmin e do vice-governador Cláudio Lembo, enquanto Alexandre permanecia na Secretaria da Justiça.

A proximidade profissional se intensificou entre 2009 e 2014, quando ambos foram sócios no escritório “Alexandre de Moraes Advogados Associados”, especializado em Direito Público. A clientela era composta por políticos e agentes públicos, refletindo o universo em que os irmãos transitaram na década anterior. Leonardo deixou o escritório em 2017 para assumir o cartório em Santos, após aprovação em concurso público.

Posicionamentos políticos e polêmicas

Em suas aparições públicas, Leonardo de Moraes não hesita em expor seus posicionamentos ideológicos de esquerda. Ele critica o que chama de “ultradireita” brasileira, caracterizando-a como um conjunto de preconceitos disfarçados de intelectualidade. Líderes como Bolsonaro e Trump são classificados por ele como oportunistas religiosos, que se aliam a discursos conservadores por conveniência, sem possuírem convicções genuínas.

Leonardo também tece críticas à gestão de Javier Milei na Argentina, considerando suas políticas como “absurdos humanitários” que negligenciam o bem-estar da população em nome da austeridade fiscal. Quanto às acusações de doutrinação em escolas, ele responde com ironia, afirmando que os críticos sequer compreendem os conceitos que mencionam, como comunismo ou marxismo.

A atuação de Leonardo como tabelião não o isentou de polêmicas. Em fevereiro, um pedido formal de suspeição foi protocolado no STF contra Alexandre de Moraes, sob a alegação de que o ministro teria usado seu cargo para proteger o cartório do irmão. A denúncia sustenta que Leonardo estaria em uma lista de “delegatários irregulares” que deveriam ter sido removidos do cargo por regras do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de 2009. O voto solitário de Alexandre de Moraes na ADPF 209, que mantinha as regras vigentes, foi interpretado por críticos como uma manobra para “blindar” o irmão.

Leonardo nega veementemente qualquer irregularidade, defendendo sua permanência no cargo com base em seu esforço pessoal para aprovação no concurso. Ele classifica o pedido de suspeição como “terrorismo emocional da ultradireita”, uma tentativa de atingir o ministro através de sua trajetória.

A esposa de Leonardo e o contrato milionário

A esposa de Leonardo, Ana Claudia Consani de Moraes, também esteve no centro de uma polêmica. Ela atuava como consultora no escritório de Viviane Barci, esposa de Alexandre de Moraes. O escritório firmou um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master, recebendo R$ 80,2 milhões em menos de dois anos. O acordo foi encerrado após a prisão do dono do banco, Daniel Vorcaro.

Nesse contexto, Ana Claudia elaborou o Código de Ética do Banco Master, documento que, segundo análises, apresentava falhas básicas e poderia abrir brechas para negociações irregulares. O deputado federal Kim Kataguiri chegou a pedir a convocação de Ana Claudia e de Alexandre de Moraes em uma CPMI para esclarecer as relações da família com o banco, mas ainda não há uma decisão definitiva.

Enquanto as polêmicas se desenrolam, Leonardo de Moraes continua divulgando seu livro, aproveitando a curiosidade dos entrevistadores sobre seu irmão ministro. Em uma participação no canal TV Fórum, ele comentou os atos de 8 de janeiro de 2023, afirmando que os “bagunceiros de plantão” encontraram “alguém que sabe do que está falando”, referindo-se a Alexandre de Moraes. A reportagem da Gazeta do Povo tentou contato com Leonardo de Moraes para uma entrevista, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

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