Seis ex-presidentes da República torraram cerca de R$ 42 milhões entre 2021 e o presente momento, utilizando verbas públicas para custear uma série de benefícios e mordomias. A lista inclui despesas com segurança, motoristas, assessores, passagens aéreas e diárias, além de uma frota de veículos de luxo cujos custos permanecem sob sigilo.
O levantamento, que abrange o período de cinco anos, revela que o contribuinte brasileiro é quem arca com essas despesas. A ex-presidente Dilma Rousseff lidera o ranking de gastos, acumulando R$ 9,3 milhões. Logo atrás, figura Fernando Collor, com R$ 8,9 milhões, mesmo estando preso. Jair Bolsonaro também aparece na lista, com um dispêndio de R$ 5 milhões até agora.
O caso de Lula é peculiar, pois ele manteve as mesmas regalias durante os 580 dias em que esteve detido na Superintendência da Polícia Federal no Paraná, e as retomará ao fim de seu atual mandato presidencial. Conforme informações divulgadas, a maior parte desses gastos, totalizando R$ 26 milhões, destina-se ao pagamento de servidores comissionados que formam as equipes de apoio dos ex-mandatários.
Dilma Rousseff no topo dos gastos com R$ 9,3 milhões
A ex-presidente Dilma Rousseff, que atualmente atua como presidente dos Brics com um salário de US$ 50 mil, acumula despesas significativas. Sua equipe de apoio na China, por exemplo, gerou um custo de R$ 1,5 milhão em ajuda de custo, auxílio-moradia e verbas de representação no exterior, despesas típicas de servidores em missões internacionais.
Em 2023, Dilma Rousseff manteve as mordomias destinadas aos ex-presidentes, somando um custo de R$ 1,36 milhão apenas naquele ano. Um exemplo citado é o de dois de seus seguranças que permaneceram em Xangai por 133 dias, recebendo um total de 264 diárias que custaram R$ 350 mil.
Ao longo de cinco anos, os gastos associados a Dilma incluem R$ 224 mil com combustível, locação e manutenção de veículos, R$ 1,45 milhão em diárias e passagens internacionais, e R$ 1 milhão em diárias e passagens nacionais. Outras verbas como Irex, auxílio-moradia e retribuição básica no exterior totalizaram mais de R$ 1 milhão, elevando sua conta para R$ 9,3 milhões.
Collor e Bolsonaro: prisões não impedem gastos com verbas de ex-presidente
Fernando Collor, condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, ocupa a segunda posição no ranking, com R$ 8,9 milhões em despesas. Apesar de estar em prisão domiciliar em um apartamento de cobertura em Alagoas devido a questões de saúde, seus gastos com servidores comissionados somam R$ 4,5 milhões, e viagens nacionais custaram cerca de R$ 5,3 milhões em diárias e passagens.
Jair Bolsonaro, desde que deixou a presidência em 2023, já gastou R$ 5 milhões. Suas maiores despesas foram com viagens pelo país, totalizando R$ 1,62 milhão em diárias e passagens. Viagens ao exterior somaram R$ 758 mil, sendo a maior parte em diárias. Sua equipe de apoio consumiu R$ 2,5 milhões. Mesmo preso desde novembro, continua utilizando as verbas de ex-presidente.
Outros ex-presidentes e a discussão sobre a legalidade dos benefícios
Michel Temer gerou gastos de R$ 6,6 milhões entre 2021 e 2026, com R$ 4,7 milhões destinados à equipe de apoio. José Sarney teve despesas de R$ 5 milhões no mesmo período, sendo a maior parte para sua equipe. Fernando Henrique Cardoso gastou R$ 4,2 milhões, quase inteiramente com sua equipe de apoio.
A legalidade dessas mordomias está em debate. Um vereador ingressou com ação no Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6) para questionar os benefícios, como motoristas e seguranças. O tribunal, em 17 de março, seguiu a decisão da relatora que argumentou que o apoio pessoal e o assessoramento são essenciais, especialmente em situações de privação de liberdade, como no caso de Lula durante sua detenção.