CPMI do INSS identifica 228 indiciados em esquema bilionário e busca correções históricas no sistema previdenciário.
Um relatório preliminar da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) já aponta para a **indiciação de 228 pessoas** envolvidas em irregularidades. O documento de aproximadamente 5 mil páginas, elaborado pelo relator Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), não menciona os nomes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A investigação, baseada em dados técnicos e apurações oficiais, sugere um **esquema de fraudes que pode movimentar até R$ 40 bilhões**. O foco da comissão, segundo Gaspar, é estritamente técnico e voltado para a correção de distorções históricas no sistema previdenciário brasileiro, sem viés político.
“Eu não cito no relatório durante essas 5 mil páginas Lula ou Bolsonaro porque eu tenho uma responsabilidade de fazer uma coisa técnica baseado nos dados da CGU, do TCU, dos depoimentos das quebras de sigilo”, declarou o relator. Conforme informação divulgada pelo relator, o objetivo é **corrigir uma dívida histórica da Previdência Social** com o povo brasileiro, independentemente de governos anteriores.
Estrutura complexa de fraudes e conexões internacionais sob investigação
O levantamento identificou indícios de uma **estrutura complexa de fraudes**, com possível atuação de organizações criminosas e conexões internacionais. O volume expressivo de recursos movimentados levanta suspeitas de **lavagem de dinheiro em larga escala**, indicando a necessidade de uma análise aprofundada.
Alfredo Gaspar ressaltou que a **extensão da CPMI**, que teve seus trabalhos prorrogados por mais 120 dias, deve também abrir espaço para a proposição de **mudanças na legislação**. O objetivo é evitar que novas fraudes ocorram e blindar o sistema previdenciário contra a exploração de brechas.
Base técnica e críticas a falhas estruturais
O material utilizado para a elaboração do relatório foi fundamentado em dados da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Tribunal de Contas da União (TCU), além de outras evidências coletadas durante as investigações, como depoimentos e quebras de sigilo. Gaspar criticou as **falhas estruturais** que, segundo ele, facilitaram a ocorrência de irregularidades.
Para o relator, é crucial fechar as lacunas que permitiram a atuação de esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro dentro da Previdência. Ele também apontou para **interferências políticas** que teriam prejudicado o funcionamento do INSS ao longo dos anos, buscando identificar responsabilidades e propor soluções.
Propostas para blindar o sistema previdenciário
As investigações da CPMI do INSS não se limitam a identificar os envolvidos nas fraudes, mas também buscam **propor soluções legislativas**. Há propostas em elaboração para “blindar” o sistema previdenciário e impedir que brechas continuem sendo exploradas por esquemas criminosos.
O relator enfatizou a importância de corrigir distorções históricas e garantir a integridade do sistema. A CPMI busca, portanto, não apenas a punição, mas também a **prevenção de futuras irregularidades**, fortalecendo a confiança no sistema de previdência social.