Flávio Bolsonaro faz apelo por eleições “livres e justas” no Brasil durante evento conservador nos EUA
Em discurso na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), em Dallas, Texas, o senador Flávio Bolsonaro declarou que acredita em sua vitória nas eleições presidenciais brasileiras caso o processo seja “justo e livre”. O evento, considerado o maior fórum conservador do mundo, reuniu lideranças políticas e ativistas.
Flávio Bolsonaro, que se apresentou como pré-candidato à Presidência em 2026, buscou traçar paralelos entre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. O senador lembrou a prisão de Jair Bolsonaro, atribuindo-a a uma atuação abusiva do Judiciário, e comparou a situação a supostas perseguições políticas contra Trump.
A fala de Flávio Bolsonaro, divulgada neste sábado (28), também abordou a relação entre Brasil e Estados Unidos, criticou a política externa do atual governo Lula e reforçou sua candidatura, conforme informações divulgadas pelo próprio senador.
Jair Bolsonaro comparado a Trump e críticas ao Judiciário
Apresentado por seu irmão, Eduardo Bolsonaro, Flávio iniciou sua fala lembrando o pai, Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar. Ele exibiu fotos de Bolsonaro com Donald Trump, chamando-o de “Trump dos Trópicos”, e ressaltou que, assim como Trump, seu pai foi acusado de “insurreição” por conta de resultados eleitorais.
“A verdadeira razão é a mesma: o maior líder político do meu país está na prisão por defender nossos valores conservadores sem medo e por se opor ao sistema com tudo que tinha”, afirmou Flávio, criticando o que chamou de “lawfare” e a “tirania da Covid”. Ele também destacou a luta do pai “contra a agenda woke que destrói famílias” e “pela liberdade”.
Brasil como peça-chave e crítica à política externa de Lula
O senador ressaltou a importância estratégica do Brasil, mencionando suas vastas reservas naturais, terras agrícolas e recursos energéticos. Segundo ele, o país poderia ser fundamental para reduzir a dependência dos EUA em relação à China, especialmente no fornecimento de minerais críticos, como as terras raras, essenciais para tecnologia e defesa.
Flávio Bolsonaro criticou duramente a atual política externa brasileira, exibindo fotos de Lula com Nicolás Maduro. Ele acusou o governo Lula de se aproximar da China e atuar contra pautas defendidas por Washington em temas como Venezuela, Irã e Cuba. Como exemplo de tensão, citou o cancelamento do visto de um assessor do Departamento de Estado americano que teria manifestado interesse em visitar Jair Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro confirma pré-candidatura e promete aliança conservadora
O senador confirmou sua pré-candidatura à Presidência em 2026, afirmando que a decisão foi tomada a pedido do pai e visa dar continuidade a um projeto político conservador. Ele declarou estar construindo um “movimento que o Brasil não via há anos”, reunindo empresários, jovens e famílias.
Caso eleito, Flávio prometeu retomar pautas do governo Bolsonaro, como o combate ao crime organizado, oposição à agenda ambiental e defesa de valores tradicionais. Ele também afirmou que pretende reaproximar o Brasil dos Estados Unidos, descrevendo a relação como “feita um para o outro” e essencial para o “mundo livre”.
Apelo por atenção internacional e “eleições livres e justas”
Na parte final de seu discurso, Flávio Bolsonaro fez um apelo à comunidade internacional para que acompanhe o processo eleitoral brasileiro, ressaltando que não deseja interferência, mas sim “atenção e monitoramento”. Ele acusou a administração Biden de ter “ajudado a trazer Lula ao poder” e enfatizou a necessidade de “eleições livres e justas”.
O senador pediu que governos e instituições do “mundo livre” observem o processo eleitoral, monitorem a liberdade de expressão e exerçam pressão diplomática para garantir o bom funcionamento das instituições. “Se nosso povo puder se expressar livremente e se os votos forem contados corretamente, vamos vencer”, declarou. Ele encerrou sua participação com a promessa de retornar ao evento no futuro como presidente do Brasil, celebrando o nascimento de “uma forte aliança conservadora no hemisfério ocidental”.