Ronaldo Caiado é o escolhido do PSD para disputar a Presidência em 2026, mirando o fim da polarização política no Brasil
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, foi oficialmente confirmado como pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Social Democrático (PSD) para as eleições de 2026. A decisão foi anunciada pelo presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, nesta segunda-feira (30), sinalizando o encerramento de uma etapa de definições internas.
Caiado surge como uma alternativa para o eleitorado em um cenário que já aponta a provável participação do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A confirmação de Caiado no PSD ocorreu após a desistência de Ratinho Junior, governador do Paraná, que optou por focar em sua reeleição estadual.
A filiação de Caiado ao PSD, no final de janeiro, já indicava sua ambição presidencial, um plano que ele vinha articulando desde o início de 2025. Agora, com o caminho livre dentro do partido, o governador busca capitalizar seu discurso de oposição à polarização e apresentar uma nova opção para o país. A informação sobre a candidatura foi divulgada pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, conforme apurado pela reportagem.
Caiado se lança como opção contra a polarização e promete anistia
Em seu discurso após a confirmação, Ronaldo Caiado declarou que o Brasil não suporta mais a polarização entre PT e o grupo político dos Bolsonaro. Ele afirmou que a polarização é sustentada por projetos políticos que se beneficiam dela e que pode ser desativada por alguém que não faça parte desse embate.
Caiado prometeu que, caso eleito presidente, seu primeiro ato será uma “anistia ampla, geral e irrestrita” aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Ele também destacou que o desafio não é apenas vencer o PT, mas evitar que o partido retorne ao poder, questionando a capacidade de governar de quem aprende “da cadeira”, em uma possível alusão a Flávio Bolsonaro.
Posicionamento à direita e a busca por votos de Flávio Bolsonaro
Ronaldo Caiado se posiciona mais à direita no espectro político, o que o aproxima de Flávio Bolsonaro, principal representante dessa vertente na disputa. Enquanto uma campanha de Ratinho Junior tenderia a buscar o centro, Caiado terá o desafio de convencer eleitores que já se inclinam para o bolsonarismo a transferir seu voto para o PSD.
Apesar de o PSD, sob a presidência de Gilberto Kassab, defender um posicionamento de centro, Caiado reafirmou sua fidelidade às suas convicções, declarando que “nunca negou suas origens” e que defende o “bom senso”. Seu discurso tem forte ênfase no combate à criminalidade, apoio ao agronegócio e alinhamento com tendências como a de Donald Trump.
Trajetória política e desempenho em pesquisas eleitorais
Ronaldo Caiado possui uma extensa carreira política, incluindo dois mandatos de governador de Goiás (o atual não será concluído para viabilizar a candidatura presidencial), quatro mandatos de deputado federal e um de senador. Ele já foi candidato à Presidência em 1989, obtendo 0,72% dos votos válidos.
No entanto, pesquisas recentes indicam que Caiado ainda não conseguiu atrair a atenção expressiva do eleitorado. Uma sondagem da Quaest em março apontou que ele atingiria no máximo 4% das intenções de voto no primeiro turno. Em simulações de segundo turno contra Lula, ele apareceria atrás, com 32% das intenções de voto, contra 44% do petista. Uma pesquisa do Datafolha, também de março, apresentou cenário semelhante, com 4% no primeiro turno e 36% contra 46% de Lula em um eventual segundo turno.
Dados da pesquisa Paraná Pesquisas, divulgada em 30 de março, mostram Caiado com 3,6% das intenções de voto, sem simulação de segundo turno. A metodologia da pesquisa Quaest envolveu 2.004 entrevistados entre 6 e 9 de março, com margem de erro de 2 pontos percentuais. Já a pesquisa Datafolha ouviu 2.004 pessoas entre 3 e 5 de março, com margem de erro de 2 pontos percentuais. A pesquisa Paraná Pesquisas entrevistou 2.080 pessoas entre 25 e 28 de março, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais.