Conferência pró-Palestina em SP gera polêmica com apoio ao Irã e slogan antissemita
A cidade de São Paulo foi palco de um evento internacional que tem gerado debates acalorados. A Conferência Masar Badil, ligada a setores da esquerda radical, reuniu, entre sábado e terça-feira, ativistas e representantes de organizações com histórico controverso.
Durante os encontros, houve defesa explícita da postura do Irã e o uso de um slogan considerado antissemita por diversas organizações. O evento também contou com a participação de grupos com histórico de ligações com terrorismo e banidos em outros países.
As discussões e posicionamentos levantados na conferência, segundo informações divulgadas, geraram preocupação e críticas de setores que buscam o diálogo e a paz na região do Oriente Médio. Acompanhe os detalhes.
Masar Badil: Um “caminho alternativo” com convidados controversos
O movimento Masar Badil se apresenta como um “caminho alternativo” para a defesa da Palestina. Fundado em 2021, o grupo rejeita os acordos de Oslo e a solução de dois Estados, propondo uma abordagem considerada mais radical.
A conferência em São Paulo, que se estendeu por quatro dias, contou com a presença de representantes do Samidoun e da Frente Nacional pela Libertação da Palestina (FNLP). Ambos os grupos são banidos em diversos países devido a acusações de antissemitismo e vínculos com atividades terroristas.
O Samidoun, por exemplo, foi banido pelo governo alemão em 2023, sob a alegação de disseminar propaganda antissemita e apoiar o Hamas. Autoridades alemãs indicaram que membros do grupo celebraram abertamente os ataques de outubro de 2023 contra Israel.
Apoio ao Irã e o slogan “Do rio ao mar”
Um dos pontos de maior repercussão foi o apoio declarado ao Irã. O site oficial do evento mencionou uma “escalada dos Estados Unidos e da ocupação israelense contra o Irã”, caracterizando a situação como uma “ofensiva imperial”.
O Partido da Causa Operária (PCO) marcou presença no evento, com o dirigente João Pimenta defendendo maior apoio do governo brasileiro ao regime iraniano e ao “Eixo da Resistência”. Pimenta chegou a chamar a morte de Ali Khamenei de “martírio”.
Além disso, o slogan “Do rio ao mar” foi entoado. Essa expressão, que se refere à área geográfica entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo, é considerada antissemita por organizações como o American Jewish Committee (AJC).
A frase é o lema oficial do Hamas desde 2012 e, segundo interpretações, prega a destruição do Estado de Israel. A Alemanha, em 2023, proibiu seu uso por considerá-la uma expressão de discurso de ódio.
Interesse estratégico no “Sul Global”
A escolha de São Paulo como sede da conferência não foi aleatória. Os organizadores apontam o interesse estratégico no “Sul Global”, citando a influência percebida do sionismo na economia brasileira e a força de partidos e movimentos populares de esquerda no país.
A coincidência com o “Dia da Terra”, celebrado em 30 de março, também reforçou o simbolismo de resistência ao colonialismo associado ao evento.
As atividades da conferência incluíram debates sobre a situação palestina e a crítica a políticas internacionais consideradas imperialistas. A presença de grupos como Samidoun e FNLP, no entanto, lança uma sombra sobre os propósitos do evento, dada a sua classificação como organizações controversas e, em alguns casos, terroristas por diferentes governos.