Lula defende o Irã e acusa empresários de “malandragem” com crise dos combustíveis
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu em defesa do Irã em meio ao conflito com os Estados Unidos e Israel. Simultaneamente, Lula retomou as críticas aos empresários brasileiros do setor de combustíveis, acusando-os de quererem lucrar indevidamente com as recentes medidas governamentais para conter o aumento do preço do diesel.
Desde o início do conflito internacional, o preço do combustível registrou alta média de 9% nos postos, com picos de até 24% em algumas regiões do país. Essa escalada é atribuída à disparada do petróleo no mercado internacional, impactado pelo fechamento parcial de rotas de escoamento de óleo de países do Oriente Médio, que respondem por 20% do abastecimento mundial.
“Acontece que como você tem gente mau caráter nesse país, tem gente que está mesmo recebendo pra não aumentar [o preço do diesel], está aumentando. […] Nós vamos ter que colocar alguém na cadeia. […] Tem muito malandro, tem gente tão safada nesse país que é capaz de querer ganhar dinheiro com o enterro da mãe”, declarou o presidente em entrevista à TV Cidade de Fortaleza.
Lula determinou fiscalização rigorosa
Para combater os aumentos considerados abusivos, Lula reforçou que determinou à Polícia Federal e aos Procons estaduais que fiscalizem e investiguem donos de postos de combustíveis e distribuidoras. A ação visa apurar aumentos mesmo diante das medidas de contenção anunciadas pelo governo, como a isenção de PIS e Cofins, subvenção a produtores e acordo com estados para reduzir o ICMS de importação.
“A fiscalização está ativa. A minha ordem é ir para a estrada, para o posto de combustíveis e para a distribuidora”, pontuou o presidente, lembrando que o Brasil importa 30% do diesel que consome, produzindo os 70% restantes internamente.
Críticas à privatização da BR Distribuidora
O presidente citou que a antiga BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, possuía mecanismos para controlar os preços mesmo com reajustes das refinarias. No entanto, após a privatização durante o governo de Jair Bolsonaro, essa intervenção tornou-se proibida, gerando especulações sobre uma possível reestatização da empresa.
Lula defende o Irã e nega programa nuclear
Na mesma entrevista, Lula defendeu o Irã, classificando a guerra como “a guerra do seu Trump e do seu Netanyahu”. Ele negou veementemente a existência de produção de armas nucleares no país persa, principal argumento dos líderes envolvidos no conflito. “É mentira, não tem bomba ou arma nuclear”, afirmou.
O presidente relembrou sua visita ao Irã em 2010, onde fez um acordo para enriquecimento de urânio nos mesmos moldes do Brasil, para fins pacíficos. Ele criticou a recusa dos Estados Unidos e da União Europeia em aceitar o acordo na época. “Um acordo para que o Irã pudesse enriquecer urânio nos mesmos métodos do Brasil, porque aqui a nossa Constituição diz que a gente só pode utilizar [combustível nuclear] para fins pacíficos, não podemos produzir armas nucleares”, explicou.
Lula também comentou que Estados Unidos e Israel subestimaram a capacidade de reação do Irã, um país grande e populoso, ao acreditarem que a guerra cessaria com a morte de seu líder. O presidente mencionou a publicação de um artigo em jornais estrangeiros criticando membros do Conselho de Segurança da ONU por promoverem guerras.