A decisão do PSD de apostar em Ronaldo Caiado em detrimento de Eduardo Leite para a corrida presidencial de 2026 tem gerado intensos debates e frustrações entre os defensores da “terceira via”. A jogada política, orquestrada pelo presidente do partido, Gilberto Kassab, é vista por muitos como um movimento pragmático e estratégico, alinhado com as tendências atuais do eleitorado.
O governador gaúcho, Eduardo Leite, expressou publicamente seu “desencanto” com a escolha do PSD, que optou pelo ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Leite reforçou sua crença na existência de espaço para um “centro liberal, democrático de verdade, com compromisso com a conciliação”, mas declarou que respeitará a decisão partidária.
A decisão do PSD, anunciada após Ratinho Junior desistir da disputa pela indicação, frustrou as expectativas de Leite e seus apoiadores. Estes, por sua vez, direcionaram suas críticas ao presidente do partido, Gilberto Kassab, considerado um dos maiores estrategistas políticos do país. A “tropa de choque” de Leite, composta por remanescentes do tucanato, o “centro democrático” e a centro-esquerda, manifestou descontentamento, prometendo “vendeta” ao que consideram um “ato de traição”.
Conforme informações divulgadas, os apoiadores de Leite viam nele a “novidade” e o “futuro”, uma opção viável à polarização entre lulopetismo e bolsonarismo. Eles defendem uma “terceira via” alinhada à social-democracia e rejeitam Caiado, que se assume como candidato de direita e defende a anistia a Jair Bolsonaro e aos condenados pelo 8 de janeiro.
A visão de Kassab e a aposta na direita
Na visão de Gilberto Kassab, a social-democracia tem encontrado dificuldades em conquistar votos nas urnas, apesar de certo apoio em setores específicos da sociedade. Ele observa o declínio de partidos como o PSDB, que, segundo o texto, praticamente desapareceu do mapa político brasileiro após sucessivas derrotas e alianças questionáveis.
A escolha por Ronaldo Caiado, um político experiente com forte apoio no agronegócio e um discurso de segurança pública firme, alinha-se com a percepção de Kassab de que os ventos políticos atuais sopram para a direita. Caiado, assim como Romeu Zema, tem potencial para atrair votos da direita e centro-direita que resistem ao bolsonarismo.
Eduardo Leite e o “falso centro”
O texto sugere que a candidatura de Eduardo Leite, com propostas consideradas “neoliberais” por alguns, dificilmente conquistaria votos da direita e não retiraria votos da esquerda de Lula. Sua postura em 2022, ao se declarar “isentão” no segundo turno, é vista como uma contribuição indireta para a vitória de Lula.
A postura de Leite em relação a temas como a anistia a Bolsonaro, as ações do STF e a política de cotas também é destacada como fatores que o distanciam de um eleitorado mais conservador. A decisão de Kassab, portanto, reflete um pragmatismo político em não apostar em um projeto identificado com a centro-esquerda ou “falso centro”.
O cenário político e a “sabedoria” de Kassab
Kassab, com sua “sabedoria e pragmatismo político”, optou por não arriscar em uma aposta incerta. A análise aponta que, mesmo que Caiado não chegue ao segundo turno, a maioria do PSD provavelmente se unirá a um bloco contra Lula. A recusa de Leite em aceitar a oferta do PSDB para disputar pelo antigo partido também é mencionada como uma oportunidade perdida.
A comparação de Kassab com Carlo Ancelotti, técnico de futebol, ilustra a ideia de que o líder do PSD sabe posicionar seus jogadores de acordo com a estratégia, evitando escalá-los em posições que não lhes são naturais. A decisão de apostar em Caiado, portanto, é vista como uma manobra calculada para o cenário político futuro, priorizando o que Kassab percebe como a força eleitoral predominante.